Paula Cohen encara falar de divórcio com o marido nos palcos e defende a escalação de atores mais velhos

A atriz está em cartaz em São Paulo com a peça Finlândia, que encerra a temporada nesta semana

25 mai 2026 - 19h55
(atualizado em 26/5/2026 às 04h59)
Paula Cohen em cartaz na peça Finlândia
Paula Cohen em cartaz na peça Finlândia
Foto: José de Holanda/Divulgação

Paula Cohen tem mais de 30 anos de trajetória como atriz, marcada por trabalhos em novelas, cinema e principalmente no teatro. Foi o caminho da atuação que a levou a conhecer o marido anos atrás, quando eles nem pensavam em se relacionar ainda, e o que fez com que os dois quisessem estar juntos nos palcos, o que rendeu a Paula um dos prêmios mais importantes do teatro.

A atriz foi premiada neste ano com o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como Melhor Atriz de Teatro pela peça Finlândia, em cartaz em São Paulo, que ela estrela com o companheiro, Jiddu Pinheiro. Em entrevista ao Terra, Paula conta que ela e o marido passaram cinco anos lendo textos para escolher a peça que fariam juntos e optaram por um espetáculo do dramaturgo francês Pascal Rambert sobre um casal hospedado em um quarto de hotel passando por um divórcio.

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"Lembro que no começo muita gente falava: 'Vocês são malucos? O relacionamento está tão bem e vocês vão mexer aí'. Mas só fortaleceu. De alguma maneira, o público aprende com a peça e a gente também. Vejo e percebo que tem coisas que são ciladas de reproduzir e lugares que não queremos chegar. Também virou um piadão, porque no dia a dia surgem discussões e a gente já começa a olhar com um distanciamento de falar: 'Isso, não. Isso aí é Finlândia, né amor?'", conta Paula.

Casados e atuando juntos, Paula e Jiddu se conheceram quando tinham 20 e poucos anos e ainda eram estudantes de teatro. Na época, eles se conheceram em um dia de estudos na casa de Caco Ciocler. Depois, conviveram nos bastidores da cena teatral em São Paulo, mas só o romance só começou em 2019.

Paula Cohen e Jiddu Pinheiro estrelam a peça Finlândia
Foto: José de Holanda/Divulgação

"A gente ficou apaixonados, começamos a namorar e, quando chegou a pandemia, tivemos que decidir morar juntos. A gente é desses casais que casou por causa da pandemia. Ele veio morar no meu apartamento, depois fomos para o meio do mato. Nesse meio tempo, percebemos que precisávamos entrar em cena juntos, porque é o lugar que mais gostamos de estar", relembra.

Então, Paula e Jiddu passaram cinco anos no processo de procurar um espetáculos com um tema que eles gostassem e que fosse relevante para a sociedade e depois de viabilizar a montagem. Esse foi o período mais longo que a atriz já passou longe dos palcos. ""Fazia tanta peça que já cheguei a estar em quatro peças diferentes na mesma semana. Cheguei a sair de uma peça, pegar um táxi e entrar no segundo ato de outra."

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Porém, o período afastada do teatro não foi uma época sem trabalho. A atriz se dedicou ao cinema e televisão. Ela gravou Nos Tempos do Imperador Elas por Elas, ambas novelas da Globo, a primeira que lhe rendeu o primeiro Prêmio APCA da carreira.

"Ganhar o primeiro por TV em 2021 e agora o segundo com teatro me dá muita alegria. É o reconhecimento de uma trajetória em uma profissão com muitos desafios. É interessante ver uma mulher que está fazendo 50 anos e está ganhando mais espaço", comemora Paula, que também dirige a peça Mulheres em Chamas, sobre a menopausa, também em cartaz em São Paulo.

Paula Cohen tem 30 anos de carreira como atriz
Foto: José de Holanda/Divulgação

Com 50 anos e dirigindo atrizes com mais 40 anos, Paula Cohen quer cada vez mais espaço para atores mais velhos. "Acho reducionista, por exemplo, colocar personagens mais velhas, às vezes atrizes de 70 e 80 anos, só com questões da vovó. Não entendo essa sociedade que cultua tanto a dramaturgia jovem. Ela é maravilhosa, sempre existiu, mas acho que a gente tem que aprofundar e investir em outras histórias. Mesmo porque, existe um público muito grande, cada vez vai ser maior, daqui a 30 anos a sociedade vai ser muito mais velha do que jovem."

Quero estar com 80 e 90 anos em cena, com uma equipe para me ajudar, mas viva. Me inspiro muito nas atrizes que fazem isso", concluiu Paula.

Serviço

Finlândia

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Teatro Cultura Artística, São Paulo

Temporada até 31 de maio

Ingressos: R$ 60 a meia entrada e R$120 a inteira

Fonte: Portal Terra
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