Enquanto o Brasil enfrenta a ressaca pela eliminação vexatória da Seleção na Copa, Neymar foi participar de um torneio de pôquer em um cassino de Las Vegas.
O episódio evidencia algo que o jogador parece ignorar: a importância de um gestor de crise capaz de enxergar não apenas o que ele faz, mas como cada atitude será percebida pelo público e a mídia.
Teoricamente, não há nada de errado em se divertir com amigos numa competição de cartas. Neymar tem o direito de gastar seu dinheiro como e onde quiser.
O problema está na mensagem que passa: aquele que foi a grande esperança do hexa se junta a um clima festivo com outros milionários enquanto a torcida brasileira está de luto.
Cada pessoa reage a uma grande perda a seu modo. Não há manual a seguir: faça isso, não faça aquilo.
Seria leviano afirmar que o Camisa 10 não está sofrendo. Mas, como diz a máxima sobre o cultivo da reputação, “a mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.
Vivemos o auge da era da comunicação, para o bem e para o mal. Uma imagem errada, ainda que involuntária, pode gerar uma interpretação profundamente danosa. Às vezes, com efeito irreversível.
É justamente nesses momentos que entra em cena uma figura indispensável para atletas, artistas e líderes de grande exposição: o gestor de crise.
Não para controlar a vida privada do cliente, mas para ajudá-lo a compreender o impacto de cada gesto em sua credibilidade e prestígio.
Um bom assessor provavelmente recomendaria discrição a Neymar até o fim da Copa.
Cada registro de lazer neste período tenso será inevitavelmente comparado ao sentimento de frustração da torcida.
Entre ídolos de esportes populares, a percepção pública frequentemente pesa tanto quanto o desempenho.
Em derrotas, espera-se deles um comportamento em sintonia com o sentimento coletivo. Neste caso, seria uma estratégia para minimizar o impacto negativo do fracasso.
“São necessários 20 anos para construir uma reputação e cinco minutos para arruiná-la. Se você pensar nisso, fará as coisas de maneira diferente”, afirmou o bilionário investidor Warren Buffett.
Não importa se Neymar vai ganhar ou perder no pôquer. Na guerra de narrativas, o prejuízo para sua imagem já está consumado.