Acompanhada da esposa, a artista plástica Ana Paula Poppi, a cantora Maria Gadú marcou presença na festa de 35 anos da Conspiração Filmes, no Rio de Janeiro. Em um desabafo sincero, a artista comentou as polêmicas recentes envolvendo seu antigo romance com Luiza Possi e trouxe uma reflexão profunda sobre o impacto de discursos fundamentalistas na comunidade LGBTQIA+.
O embate sobre a "ex-bissexualidade"
Maria Gadú explicou que sua reação a uma entrevista anterior de Luiza Possi não foi sobre a vida pessoal da colega, mas sim sobre o peso das palavras usadas. Para Gadú, o termo "ex-bi" abre precedentes perigosos para teorias de reversão sexual.
"Eu acho que ela traz um discurso de ex-bissexual e eu não acredito nisso... Isso abre muito para uma coisa que causa muito mal-estar na nossa comunidade, que é a 'cura gay'", afirmou, em entrevista à Quem.
A cantora ressaltou que, embora respeite escolhas individuais, não poderia ficar calada diante de algo que considera um "descuido" com temas tão sensíveis.
Fé, política e o caso Karol Eller
Ao falar sobre o perigo de misturar orientação sexual com fundamentalismo religioso, Gadú relembrou o trágico episódio de Karol Eller, influenciadora que tirou a própria vida após passar por um processo de "renúncia" da homossexualidade.
"A fé é uma coisa divina. Acho que não tinha que misturar as coisas, porque machuca as pessoas e é perigoso. Eu acho que ela [Luiza] foi descuidada", pontuou a artista.
Blindada contra a homofobia
Questionada sobre os ataques que recebe na internet, Maria Gadú demonstrou que as tentativas de desestabilizá-la não surtem efeito. Com bom humor, ela mandou um recado para os "haters":
"Não vou ser menos eu porque a 'Claudinha 22' vai me atacar por isso. Coitadas das Claudias", disse, aos risos. Ela reforçou que nunca se preocupou em esconder quem é para manter contratos ou fãs, priorizando o "sim" que deu para si mesma ao se aceitar.