Nascido em 1936, o escritor Luis Fernando Veríssimo sempre encarou a passagem do tempo com humor e ironia. Conhecido por suas reflexões leves, ele definia o ato de envelhecer como um sentimento duplo: a alegria por viver mais um ano somada à consciência de ter um ano a menos pela frente. Para o autor, celebrar aniversários na velhice soava quase irônico, mas a realidade da idade avançada era encarada sem dramas, apenas como uma distração bem-humorada da vida.
Fazer aniversário costuma ser aquela festa: bolo, vela, abraço e a turma cantando "parabéns". Mas para Luis Fernando Veríssimo, quanto mais velha a pessoa fica, mais esquisita fica essa comemoração. Em "As Mentiras que as Mulheres Contam", ele mandou essa: "Depois de uma certa idade é temerário fazer aniversário. Que agonia! Todo 'parabéns' soa, mesmo dito numa boa, como ironia".
Era bem a cara dele. Em vez de fazer drama com o tempo passando, Veríssimo achava graça. Afinal, soprar velinhas depois de uma certa idade é comemorar que você viveu mais um ano, mas também encarar que ficou um ano a menos pela frente...
'A gente se distrai e, quando vê, está com 80 anos'
Em 2016, quando chegou aos 80 anos, perguntaram para ele como era a sensação. A resposta veio sem pose nenhuma."Pois é, a gente se distrai e quando vê está com 80 anos", disse à revista Época. Ele ainda brincou dizendo que não ia fazer balanço de vida porque esperava viver "muito, muito tempo" ainda.
Para a GZH, na mesma época, ele explicou que chegar a essa idade dava um sentimento duplo: alegria por ter chegado longe, mas com a noção de que cada aniversário virava "um ano a menos de vida". Não era pavor de envelhecer, era só realidade encarada com bom humor.
Um escritor que começou sem pressa
Filho do famoso escritor Erico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936. Passou parte da infância nos Estados Unidos por causa do trabalho do pai, mas não pensava em seguir o mesmo caminho na litera...
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