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Com seis peças em cartaz, Nany People reage a críticas políticas: ‘Nunca usei a Lei Rouanet’

Multiartista comentou, em entrevista ao Terra, sobre perdas, rotina intensa de trabalho e críticas

26 set 2026 - 04h58

Nany People, de 61, não quer saber de infelicidade. A multiartista perdeu oito amigos, e esse luto acumulado a relembrou o quanto o tempo é precioso. “Em dois anos e meio perdi oito amigos. E foram sendo tirados das maneiras mais inesperadas. Quando a pessoa está com doente, você sabe que a morte vem a galope… mas eram pessoas que levantaram para trabalhar num dia normal”, disse, em ao Terra.

“É o que acontece quando você chega aos 50 ou 60 anos, você começa a perder gente. Quando chega nessa fase, mais da metade da ampulheta já caiu. Você começa a perder seus amigos e dói. Dói muito olhar o álbum de figurinha e estar incompleto”, continuou Nany People, atriz, cantora e comediante.

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Decidida a ganhar com a perda, Nany encomendou uma peça de Bruno Motta para falar sobre isso: as perdas da vida. Foi assim que nasceu Segunda Chance, o primeiro monólogo da multiartista que trata da fragilidade do véu que separa a vida e a morte. No palco, ela encarna Ivone, uma mulher controladora que acredita ser o centro do universo e a solução para os problemas de todos, até que a vida a obriga a parar e aprender a ouvir.

“Eu fui, de certa forma, sacudida, chocalhada, tocada e nocauteada por situações muito semelhantes nos últimos anos”, contou Nany, citando as perdas que passou. “Essa personagem da peça é uma constatação das muitas pessoas que nós temos, convivemos e até somos um pouco também, que acreditamos na cronologia equivocadamente. Tipo: ‘Quando eu tiver 35 eu vou estar assim’. A gente organiza a vida e Deus ri”.

Questionada sobre alguma segunda chance que gostaria de ter, ela não titubeou. “A minha mãe viu um pouco das minhas conquistas como atriz, sabe? Eu saí de casa com 20 anos, e foi muita luta. É muito difícil viver de arte nesse País. Eu queria que a minha mãe tivesse um pouco mais aqui para ver um pouco mais de tudo que eu tenho conquistado”.

Uma Nany, seis peças e zero Rouanet

Nany People resolveu ganhar com as perdas
Nany People resolveu ganhar com as perdas
Foto: Reprodução Instagram | @marcostavaresfotografia

Além de Segunda Chance, Nany People também tem viajado o Brasil com outras cinco apresentações: Tsunany, Nany é Pop, Um Musical; Como Salvar um Casamento, Sob Medida e En(Canta). Essa rotina intensa de trabalho, segundo ela, também ajuda a processar o luto dos amigos que perdeu. “Chega uma hora que não dá mais para chorar e a gente tem que seguir em frente”, disse ela, sobre resiliência.

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O luto tornou Nany uma pessoa prática, tão prática que ela mesma se julga grosseira às vezes. “Não tenho tempo para bater palma para maluco”, brincou, citando as críticas que recebe. “Em 2022, eu tava em Portugal, falaram: ‘Ai, a Nany é de direita, chaveirinho de hétero’. Liguei a câmera e falei: ‘Por acaso meu nome tá escrito em osso pra estar na boca de cachorro? Eu tô aqui em Portugal, ganhando o meu, fazendo o meu feito uma louca’”.

A revolta dela tem seus motivos, todos seus trabalhos são independentes e ela não abre mão do crédito. “Falei [diante da câmera] porque não é fácil a gente fazer espetáculos sem patrocínio, sem projeto de lei. O pessoal adora falar: ‘Ah, ela faz isso com a Lei Rouanet’. Nunca fiz espetáculos com Lei Rouanet. Minhas produções são todas no cheque especial”, disse ela, que encerrou em tom de brincadeira.

Segunda Chance

Nany People interpreta Shirley, uma mulher controladora que é obrigada a parar e ouvir
Foto: Reprodução Instagram | @marcostavaresfotografia

Outubro

1º de outubro — Belo Horizonte (MG)

10 de outubro — Poços de Caldas (MG)

31 de outubro — Florianópolis (SC)

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Novembro

6 e 7 de novembro — São Paulo (SP) | Teatro Sérgio Cardoso

21 de novembro — São Luís (MA)

22 de novembro — Teresina (PI)

27 de novembro — Belém (PA)

Fonte: Portal Terra
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