Nany People descarta monogamia por liberdade em relação com homem 30 anos mais novo 'O que é consentido não é traído'

Atriz está há dez anos no relacionamento, mas prefere não revelar a identidade do parceiro

26 fev 2026 - 04h58
Nany People descarta monogamia em relação com homem 30 anos mais novo
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"Amor é matemática, sexo é química", é um dos bordões de Nany People, mas também faz parte da filosofia de vida da atriz. Ela aprendeu esse ensinamento com a maturidade e faz questão de passá-lo para frente em alguns dos espetáculos que apresenta, como os monólogos Ser Mulher Não É para Qualquer Um e Como Salvar Um Casamento.

A primeira peça é sobre a trajetória dos 60 anos de vida da artista. Já na segunda, que completou 100 sessões recentemente, Nany vive uma coach de relacionamentos e dá dicas para casais salvarem relacionamentos. Esse espetáculo nasceu há 17 anos, inspirado nos divórcios dos irmãos da atriz, mas passou por mudanças e é atualmente focado nas dificuldades de se relacionar com outra pessoa.

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"Por mais individualista e egoísta que a sociedade esteja, não adianta, você vai ter que ter alguém. Se não estiver investindo em alguém, vai gastar com o analista para dizer que não está com alguém", diz Nany sobre a peça em entrevista ao Terra.

Ao longo dos quase 20 anos em que fala sobre amor no teatro, Nany aprendeu muito do que sabe com os próprios relacionamentos. Uma das lições que ela mais repete é a de que o amor, a matemática, é algo construído aos poucos e com investimento das pessoas envolvidas. Já o sexo é a reação entre pessoas que se encontram e, de alguma forma, combinam. Por isso, acredita que amor e sexo não precisam estar atrelados o tempo todo.

Nany People fala sobre relacionamentos no teatro há quase 20 anos
Nany People fala sobre relacionamentos no teatro há quase 20 anos
Foto: Reprodução/Instagram

"Há muito tempo deixei de ter aquela ideia de um relacionamento normativo e monogâmico. Primeiro que, se me apaixono por homens mais jovens e lindos, não vou ser pretensiosa de achar que eles vão ser só meus."

Nany People mantém há dez anos um relacionamento com um homem quase 30 anos mais novo do que ela. Ao longo de toda a vida, a atriz brincou que gosta de "querubins", apelido que dá para os novinhos. "Ele está morrendo de medo. Agora que fez 31 anos, falou assim: 'Não vai me largar, não. Pegou novinho, vai pegar velhinho também", brinca.

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A valorização da individualidade e da liberdade é algo que Nany e o namorado têm no relacionamento. Ela mora em São Paulo, ele no Rio de Janeiro. Quando estão na mesma casa, a atriz considera imprescindível um banheiro para cada um e muitas vezes dormem em quartos separados. "Quando quero namorar, vou ao quarto dele. E, quando acordo, já estou de dente escovado, cheirosa, perfumada, gostosa. Já estou comestível."

A artista escolhe não revelar a identidade do namorado, algo que fez com todos os relacionamentos que teve na vida. Nany considera que a vida pública pode ser tóxica, pois é muito invasiva e deixa a pessoa vulnerável. Por isso, ela quer que o homem que ama tenha liberdade de viver à vontade sem se preocupar com os julgamentos de quem não conhece.

Nany People na peça Como Salvar um Casamento
Foto: Reprodução/Instagram

Por outro lado, ela ressalta que o relacionamento dos dois não é às escondidas. Eles conhecem a família e amigos um do outro, só não fazem questão de se encaixar nas convenções que são esperadas de um casal, como de estar juntos o tempo todo, frequentar os mesmos lugares e também de não poderem ficar com outras pessoas.

Para Nany People, a lealdade é muito mais importante e demonstrada de outras formas do que na ideia de fidelidade, de monogamia. "Como eu, sendo quase 30 anos mais velha que ele, vou querer que ele tenha as experiências dos 20 e poucos anos dele se estava agarrado comigo, vivendo a minha vida?", questiona ela, que também relembra que já foi jovem, já usou minissaia, já foi madrinha de bateria, já namorou jogador de futebol e nunca foi santa.

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"Não quero que ele me culpe no futuro de não ter vivido as experiências dele porque está comigo. Não. Só falo assim: 'Se você se apaixonar por uma garota, me avise.' O que é consentido não é traído. Com o tempo, aprendi a separar as coisas. Só que a liberdade que eu dei foi tão bem aceita, tão bem resolvida, que ele não teve cabeça de tentar sair da minha vida." 

Hoje em dia, a atriz pensa dessa forma, mas no passado já teve outra cabeça. Ela relembra que chegou a ser casada por sete anos e se sentia pressionada a seguir as regras de um relacionamento tradicional. Com o tempo, percebeu que isso não funcionava, que não podia aceitar que tentassem mudá-la e que também não poderia mudar os outros.

"O amor é essa coisa voluptuosa. Só que aprendi a dosar o amor com amor próprio. Não sou mais ingênua com o amor hoje em dia. Já fui muito e já fiquei muito à mercê do outro. Agora, me amo muito mais."

Além de se amar mais, Nany People também aprendeu a ser mais verdadeira consigo mesma. "A maturidade ensina a não ter medo de levar não. Quando você é jovem, morre de medo de ser rejeitado. O que eu falo hoje é que deixo bem claro que, se não quer, tem quem queira. Deixo claro que estou disponível, interessada e cuidando da relação. Então, estou muito mais honesta comigo mesma."

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Ao falar de rejeição, a atriz relembra que isso é algo que enfrentou a vida toda por ser uma mulher trans. "Uma pessoa com a minha condição já aprende o que é rejeição antes de nascer. Para uma pessoa como eu, aos 60 anos de idade, ir à padaria comprar pão é um ato político. Sou de um tempo em que não era viável uma pessoa como eu existir. Então, uma coisa que precisei aprender desde cedo foi a ter amor próprio", conclui a artista.

Fonte: Portal Terra
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