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Lucas Guedez desabafa sobre expulsão de casa e reconciliação com a fé: 'Fiquei com raiva'

Influenciador relembrou sua trajetória da rejeição da família ao 'corre' até o estrelato

23 set 2026 - 12h19
Lucas Guedez foi expulso de casa durante processo de autodescoberta
Lucas Guedez foi expulso de casa durante processo de autodescoberta
Foto: Reprodução Instagram | @lucasguedez

O influenciador Lucas Guedez, de 31 anos, conquistou milhões de seguidores nas redes sociais com seu humor e espontaneidade. Entretanto, por trás da personalidade expansiva que o público conhece bem, existe uma história marcada pelo medo de assumir a própria sexualidade. Atualmente, ele trata o assunto com ‘naturalidade’, mas nem sempre foi assim.

“Esse assunto, essa história, já foi muito tabu pra mim… digo, falar abertamente sobre a minha sexualidade, porque eu vim de uma família cristã, de pai pastor, então sempre tive muito medo [de assumir]. Eu fui me descobrindo ao longo do tempo e apenas com 22 anos que eu dei meu primeiro beijo gay”, disse o influenciador, em entrevista exclusiva ao Terra.

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Segundo Lucas, logo cedo percebeu que gostava da ‘frutinha’, mas sempre escondeu por medo da família, que frequentava ativamente a igreja. Quando começou a crescer, entrou em conflito interno. Queria viver romances, mas sabia que sua forma de amar não seria bem recebida, o que fez com que ele convivesse com o constante medo de ser descoberto.

“Eu ainda estava na igreja [quando comecei a me descobrir], eu congregava com meus amigos lá do coral, então, pra mim, foi muito difícil, principalmente dentro de casa, com meus pais, que não apoiavam. Eles não apoiaram nem eu fazer teatro. Falavam que era coisa de viado. Aí eu queria fazer dança, não podia porque era coisa de gay e gay vai para o inferno… então, automaticamente, eu também não me aceitava. Mas, hoje, graças a Deus, eu posso falar, mas ali eu já sabia que gostava da frutinha”, disse.

“Só tinha que lidar com tudo isso da religião, da família, e eu também não tinha uma estrutura mental boa para lidar com tudo isso”, acrescentou ele, relembrando a história.

‘Meu pai me chamou de viadinho’

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Um dos momentos mais marcantes desse processo foi durante uma discussão com o pai. Aliás, vale ressaltar que, sempre que Lucas se refere à figura paterna, trata-se de seu padrasto. O pai biológico ele nunca conheceu e não tem interesse em conhecer.

“Eu acho que realmente tem dois lados [da autodescoberta]. O lado negativo foi quando o meu pai me chamou a primeira vez de viadinho. Quando você ouve isso, até você se rejeita por causa da religião e, nesse dia, foi também a primeira vez que ele me tirou de casa. Literalmente, meu pai me jogou na rua: ‘Vai embora, se você é gay mesmo, pode ir’. Lembro também das minhas roupas estarem no saco de lixo preto”, relembrou Lucas Guedez.

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“Com 18 anos, eu saí de casa e, bem nessa época, eu estava conhecendo um boyzinho. Foi esse cara que me ajudou financeiramente. Eu ganhava R$ 800 [como recreador], tipo, eu não tinha para onde ir. Eu morava com meus pais, todo o dinheiro que eu ganhava, gastava em lanche e roupa, não me preocupava com aluguel, luz, entre outras contas. Enfim, essa pessoa me ajudou muito [financeiramente] e no meu processo de aceitação.”

Além do interesse romântico da época, Lucas Guedez também teve apoio de uma tia, da avó e de amigos durante essa fase difícil e sem uma casa estável.

“Tive uns amigos que me ajudaram muito, assim… por isso que costumo falar que meus amigos são minha família", complementou Lucas Guedez

‘Larguei a igreja, chutei tudo’

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Foto: Reprodução Instagram | @lucasguedez

Trabalhando com recreação entre 2018 e 2019, Lucas Guedez conheceu Luisa Sonza e Whindersson Nunes. Na época, o casal atraía os holofotes, mas o influenciador não se via produzindo conteúdo. Apesar de ser visto como divertido entre os amigos, tinha vergonha de aparecer afeminado no vídeo – o que mais tarde se tornaria seu diferencial.

“Antes da internet, eu era recreador e conheci a Luísa Sonza em um dos prédios em que eu trabalhava. Na época, ela me gravava bastante e eu morrendo de vergonha porque ainda assim frequentava a igreja [mesmo depois de ser expulso de casa]. Eu pensava: ‘Se eu for desse jeito [afeminado] diante das câmeras, eu tô ferrado’. Mas, desde o primeiro dia que tentei, a Luisa me apoiou, ela sempre me apoiou, foi a pessoa que mais me apoiou nisso.”

“Ela falava: ‘Você não gosta de dublar Pabllo Vittar? Vai e grava seus stories. Dubla!’. Aí eu coloquei uma peruca morrendo de medo e fiz meu primeiro vídeo para internet. Dito e feito, fui julgado por todos da igreja. Com tantos julgamentos, larguei a igreja, briguei com meu líder, fui atrás do meu e a Luisa Sonza me ajudou muito. Ela me gravava muito, o Whindersson me colocava em vários projetos, falava que eu era engraçado.”

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Mesmo após cortar laços com a família e com a igreja, Lucas ainda enfrentou dificuldades. “Mas, assim, amigo, demorei pra engatar. Por conta disso aqui [minha mente]. Eu tinha um bloqueio e, até eu desfazer esses condicionamentos, foi muito trampo. Foi muito difícil me aceitar. E era só aceitar quem eu era. Então, por conta das pessoas, dos julgamentos, eu tinha muito medo. Uma hora eu desencanei. Botei o pé, chutei tudo que estava na frente.”

“Eu acho que, se eu tivesse parado, eu não estaria aqui hoje. A minha vida foi toda zero, não é que eu avancei degraus, não é assim. A parte boa do meu processo de autodescoberta foi conhecer a Luísa, o Whindersson, a Rafa Uckermann, que virou minha colega de quarto…”.

‘Fiquei com raiva da igreja’

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Foto: Reprodução Instagram | @lucasguedez

Anos depois, Lucas Guedez fez as pazes com a religiosidade, mas longe da igreja. Sua relação com Deus foi reconstruída a dois, em casa, focada em amar e não no ato de julgar. “Quando eu saí da igreja, eu demorei muito [para retomar o vínculo com a religião], eu fiquei com muita raiva, porque era onde mais deveria receber amor e foi onde eu mais recebi pedrada. Fiquei com muito ranço da igreja, com muita raiva. Mas, no meu particular, dentro do meu quarto, fui conhecendo realmente Deus e vendo que não era aquele bicho de sete cabeças que as pessoas pregavam e que eu tinha medo. Com 23 anos, eu fui entendendo esse relacionamento com a religião. Minha reaproximação com esse laço foi particular. Hoje, vejo que Deus é meu melhor amigo, Jesus também.”

Atualmente, Lucas Guedez mantém relação próxima com sua mãe e uma irmã. Na relação com o pai (padrasto), ele ainda engatinha, mas entende que cada pessoa leva seu tempo. “Foi bem difícil e hoje meus pais super entendem que eu nasci assim, não foi o que eu virei ou acordei da noite para o dia. Sempre fui afeminado, sempre tive um jeito… Meus pais oravam por mim enquanto eu dormia para repreender se eu fosse gay, então, graças a Deus, hoje eu me sinto muito liberto e vejo o tanto de gente que gosta de mim pelo fato de eu ser quem sou. Ter a liberdade de ser quem sou é gratificante”.

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Fonte: Portal Terra
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