Em entrevista ao podcast Papagaio Falante, Ratinho revelou que tem policiado suas falas após um alerta de Daniela Beyruti, presidente do SBT, para evitar novos processos judiciais por declarações preconceituosas. O apresentador admitiu achar difícil conter seu humor irreverente por medo de represálias e desabafou que o Brasil "está muito chato". Ele também criticou duramente o uso da linguagem neutra, defendendo as regras tradicionais do português e reacendendo o debate sobre os limites do humor.
Ratinho falou abertamente sobre a maneira como tem conduzido seu trabalho atualmente e revelou que passou a tomar mais cuidado com determinados comentários e brincadeiras. Em entrevista ao podcast Papagaio Falante, apresentado por Sérgio Mallandro, o comunicador contou que recebeu um alerta direto de Daniela Beyruti, presidente do SBT.
Durante a conversa, o apresentador foi questionado sobre se estaria estudando ou se preparando para evitar declarações consideradas preconceituosas. A pergunta veio após recentes controvérsias envolvendo seu nome, entre elas uma declaração sobre o cantor Thiago Piquilo, que gerou acusações de homofobia. Ratinho também já foi alvo de processo por uma fala envolvendo a deputada Erika Hilton.
O comunicador negou que esteja fazendo algum tipo de estudo específico, mas afirmou que tenta mudar algumas atitudes por orientação da executiva do SBT.
"Eu tô procurando melhorar, atendendo a Daniela [Beyruti]. A Daniela me pediu: 'Evita, porque você vai levar muito processo'. Então, eu tô evitando, mas é muito difícil", lamentou Ratinho.
Humor mais contido
Segundo Ratinho, a mudança não é simples para alguém que construiu sua carreira utilizando o humor e a irreverência como principais características. Ele afirmou que atualmente evita algumas brincadeiras que costumava fazer no passado.
"Um cara que faz tudo na brincadeira, é difícil, você vai se tornando mais chato, não pode brincar com ninguém… Eu tô evitando. Antes, aparecia um bichinha lá [no programa], eu brincava com eles, hoje eu não faço mais. Tenho medo", admitiu o apresentador.
A declaração foi feita em meio ao debate sobre os limites do humor e às mudanças na forma como determinados comentários são recebidos pelo público.
Críticas à linguagem neutra
Durante a entrevista, Ratinho também se posicionou contra a chamada linguagem neutra, utilizada por parte da população como uma forma de incluir pessoas não binárias na comunicação.
O apresentador criticou termos como "todes" e defendeu a preservação das regras tradicionais da língua portuguesa.
"É uma bobagem esse negócio de 'todes'. A Língua Portuguesa é uma das mais ricas do mundo e uma das mais difíceis, e agora querem criar outra língua?", detonou.
"O Brasil está muito chato"
Ratinho ainda comparou o cenário atual com décadas passadas e afirmou que, na sua visão, o humor perdeu espaço por causa do receio de consequências jurídicas e de críticas.
"Eu, com 70 anos, vou falar 'todes'? Todes o cacete, não sou obrigado, não vou falar. É difícil impor algo que você não aprendeu na escola. O Brasil era mais gostoso, agora tá muito chato. Eu vejo as piadas que Os Trapalhões faziam, hoje eles iriam presos", completou o famoso.
As declarações reacendem o debate sobre os limites do humor na televisão, especialmente para artistas que ficaram conhecidos por um estilo mais provocador e que hoje precisam lidar com uma audiência mais atenta às questões relacionadas a preconceito e representatividade.
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