Juma de 'Pantanal', Cristiana Oliveira se despede de Benedito Ruy Barbosa: 'Foi-se uma lenda'

Atriz relembra que foi lançada ao estrelato pelo dramaturgo ao viver Juma Marruá na versão original da trama, exibida pela TV Manchete, e agradece pela confiança do autor no início da carreira

7 jul 2026 - 19h01

Cristiana Oliveira lamentou a morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, nesta terça-feira, 7, em decorrência de complicações da insuficiência renal crônica, diagnosticada em 2024. Nas redes sociais, a atriz prestou uma emocionante homenagem ao autor de Pantanal, obra que mudou sua trajetória profissional e marcou a história da televisão brasileira.

Exibida em 1990 pela extinta TV Manchete, a versão original de Pantanal transformou Cristiana em um fenômeno nacional e internacional graças à interpretação da icônica Juma Marruá. A atriz fez questão de lembrar a confiança que recebeu do dramaturgo quando ainda dava os primeiros passos na carreira.

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As atrizes Cássia Kis e Cristiana Oliveira em Pantanal de 1990
As atrizes Cássia Kis e Cristiana Oliveira em Pantanal de 1990
Foto: TV Globo/Divulgação / Estadão

"Foi-se uma lenda. Benedito apresentou a TV brasileira a realidade do homem do campo, dos interiores, da vida simples, sem perder o folhetim, as tramas, os amores e os romances. Bené me deu um início, uma vida pública. Acreditou que aquela menina de 26 anos, sem experiência, poderia fazer uma personagem pura, sincera, ingênua, forte, destemida: a protetora do Pantanal", escreveu.

Na sequência, Cristiana recordou um novo encontro profissional com Benedito e afirmou que levará para sempre a gratidão pelo autor.

"Depois me presenteou, em 2009, com a Zuleika de Paraíso, em sua segunda versão. Novela em que pude prestigiar novamente esse grande autor. Terei o Benedito sempre em mim e na minha gratidão. Meus mais sinceros sentimentos à família, que com certeza manterá seu legado, e a todos os seus amigos que o acompanharam até o fim. Siga em paz, Bené", concluiu.

Pantanal revolucionou a teledramaturgia brasileira

Exibida originalmente pela extinta TV Manchete em 1990, Pantanal revolucionou a teledramaturgia brasileira ao levar para a televisão uma narrativa centrada na vida no campo e na exuberância do bioma pantaneiro. Em uma época dominada por novelas urbanas, a obra chamou atenção pelas longas sequências contemplativas, pelas paisagens naturais e pelo ritmo diferente das produções tradicionais.

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A história acompanha a trajetória de José Leôncio e de sua família, tendo como fio condutor o romance entre Juma Marruá e Jove. Personagens como o Velho do Rio também se tornaram ícones da televisão brasileira e permanecem vivos na memória de diferentes gerações.

O êxito foi tão expressivo que Pantanal conseguiu enfrentar a programação da TV Globo no horário nobre, um feito raro para uma novela exibida por outra emissora. O fenômeno impulsionou a audiência da TV Manchete e consolidou a obra como um dos maiores sucessos da história da dramaturgia nacional.

Pantanal transformou Cristiana Oliveira em um fenômeno nacional e internacional graças à icônica Juma Marruá
Foto: TV Globo/Divulgação / Estadão

Além dos números, a novela definiu características que se tornariam marcas registradas da carreira de Benedito Ruy Barbosa: o regionalismo, a valorização da natureza, os conflitos familiares e o protagonismo do homem do campo, elementos que voltariam a aparecer em diversos trabalhos do autor.

Mais de três décadas depois, Pantanal ganhou uma nova versão produzida pela TV Globo. Exibido em 2022 e adaptado por Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, o remake conquistou uma nova geração de telespectadores e repetiu o sucesso de crítica e de público da obra original.

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