O velório de Benedito Ruy Barbosa, realizado nesta terça-feira no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, reuniu familiares, amigos e admiradores do dramaturgo. Em conversa com jornalistas, a filha Edilene Barbosa abriu o coração sobre os últimos meses do pai e revelou o dilema que a família enfrentou diante do agravamento da insuficiência renal.
"Ele estava bem. Teve um problema no rim, né? Então, ele estava lúcido, bem, até o rim começar realmente a parar e não tem o que fazer, um transplante ele não suportaria", contou. Em seguida, Edilene refletiu sobre a inviabilidade de um procedimento tão agressivo para um homem de 95 anos.
"Aí vem a pergunta. Vamos dar um rim para um senhor de 95 anos, enquanto tem criança de 15, 13, 12 anos, precisando de um. É incoerente, né? Tem uma incoerência aí mesmo, porque ele não suportaria..."
A filha do autor de Pantanal (1990), O Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999) descreveu uma rotina de internações que se intensificou nos últimos meses. "Ele teve várias infecções urinárias, devido ao processo da infecção do rim não estar funcionando. Ele internava, melhorava, voltava para casa, tinha a vida normal, internava, melhorava."
O sinal de que o fim se aproximava veio dos próprios médicos. "De janeiro para cá foi complicando mais. Agora, a última internação, que já tem uns 15 dias, eu acho, e o médico já avisou: 'Olha, está difícil'. Mas foi lindo, fica saudade, saudade do meu pai", completou com emoção.
O filho Ruy Maurício também prestou homenagem ao pai e destacou o traço mais marcante de sua obra. "Ele tinha grande amor pela terra, pelo campo. Trabalhou em cafezal, viveu em fazenda e transmitiu isso através de sua obra. Ele gostava de mostrar a vida no campo e os valores da família."
O neto Bruno Luperi, que também seguiu os passos do avô na dramaturgia, resumiu o sentimento da família. "Parece que a gente estava ensaiando se despedir. Além de neto, sou fã incondicional e admirador. Pude trabalhar com ele e homenageá-lo em vida."