Fraude de Médium famosa com enlutados é exposta no 'Fantástico': 'É tanta dor'

No 'Fantástico', famílias acusam a líder espiritual de solicitar CPFs e buscar informações em redes sociais antes de sessões; confira!

7 set 2026 - 11h43
(atualizado às 12h25)
Resumo
A médium Máira Rocha foi denunciada pelo "Fantástico" por estelionato, charlatanismo e ameaça, acusada de forjar cartas psicografadas para famílias enlutadas. As investigações e relatos apontam que ela exigia dados como CPF antes das sessões e abordava fiéis presencialmente para coletar informações, usando dados públicos da internet e notícias para simular mensagens do além, chegando a replicar erros da imprensa. A médium e sua instituição negam as fraudes e alegam perseguição religiosa.

Uma apuração conduzida ao longo de mais de dois meses pelo programa Fantástico, da Globo, trouxe à tona acusações graves contra a médica espiritual e médium Máira Rocha. Alvo de denúncias que incluem estelionato, charlatanismo e ameaça, a religiosa é acusada por famílias enlutadas de simular mensagens do além utilizando dados que já estavam publicamente disponíveis na internet.

Reprodução/Globo
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Foto: Mais Novela

Em meio a depoimentos prestados por frequentadores, pesquisadores e representantes do meio espírita, o caso expõe a suspeita de coleta prévia de informações pessoais para a elaboração das cartas.

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Saiba mais sobre a exposição da médium no 'Fantástico'

Para conseguir atendimento com Máira Rocha, os frequentadores precisavam cumprir exigências burocráticas bem antes das sessões. A empresária Marina Escames, que buscou o centro após a perda do marido, Thiago, em decorrência de uma leucemia, detalhou como funcionava a triagem inicial.

"Antes da data da psicografia, 60 dias antes, você precisa se inscrever , você e o seu acompanhante, e passar o nome completo, o CPF da pessoa que vai e do acompanhante", explicou a frequentadora ao descrever o protocolo do local.

Diante desse formato de cadastro, o escritor e pesquisador espírita Pedro Camilo chamou a atenção para a facilidade de criar perfis detalhados das vítimas por meio de buscas virtuais. "Com essas informações é possível fazer uma varredura nos bancos de dados que existe na internet, elaborar um dossiê sobre aquela pessoa e sobre possíveis parentes desencarnados que podem ter as suas informações transmitidas", analisou o especialista.

Além disso, a abordagem presencial servia para enriquecer o acervo de informações antes da escrita das mensagens. Marina Escames relatou que, durante a chamada "fila do abraço", a própria líder espiritual fazia questionamentos diretos.

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"Ela perguntou o nome do meu marido completo, ela perguntou do que ele tinha falecido, eu dei uma foto dele e, assim, realmente, nessa fila de abraço, ela pegou várias informações", completou ao recordar o contato direto no centro.

Prints de redes sociais e gírias do cotidiano

Sendo assim, a busca por conforto espiritual acabou se transformando em decepção para quem aguardava um contato legítimo. Como é praticante da doutrina desde a infância, Marina Escames nutriu a expectativa de receber um recado do companheiro. "Eu sou espírita kardecista desde que nasci, então eu sempre acreditei muito na psicografia, nos médiuns. Então eu queria muito uma notícia dele", pontuou ela.

Contudo, a desconfiança surgiu quando os trechos da carta psicografada reproduziram postagens antigas feitas nas redes sociais. Elementos específicos, como a menção a uma tatuagem e uma frase afetuosa usada por Thiago em um recado de aniversário, acenderam o alerta.

"Eu entrei nas minhas fotos, que eu tenho prints de redes sociais. E lá estava uma mensagem que o Tiago me mandou de aniversário. E no final ele falou: 'te amo pra cacete'. Aí eu falei: 'poxa, então é o Tiago, né? É o Tiago que mandou essa mensagem", relembrou ao comparar o texto entregue pela médium com as publicações antigas do marido.

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O erro do 'jogador de futebol' e a dor dos parentes

Outro relato marcante veio da comerciante Marcela Magalhães, que recorreu à médium após o falecimento do filho Henrique, de apenas 18 anos, vítima de um acidente de carro. Em meio ao luto profundo, a dor torna as famílias vulneráveis a qualquer promessa de conforto. "É tanta dor, é tanta dor que você, você acredita em qualquer coisa", desabafou a mãe.

No entanto, uma afirmação feita por Máira Rocha durante uma transmissão na internet levantou fortes suspeitas de cópia de reportagens. Ao se referir ao jovem no ar, a médium atribuiu a ele uma profissão que não correspondia à realidade.

"Eu… eu tô com o Henrique, um jogador de futebol que desencarnou muito cedo, mas mãezinha, ele tá bem", disse a religiosa ao se dirigir à mãe do rapaz.

Dessa forma, a família descobriu posteriormente que uma matéria jornalística sobre a tragédia havia publicado uma foto de Henrique trajando uniforme esportivo, identificando o moço erroneamente como atleta. O episódio reforçou a tese de que informações públicas estavam sendo extraídas da imprensa e de redes sociais para alimentar as sessões.

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A médium Máira Rocha e a Casa de Caridade Inácio Daniel negam as irregularidades e afirmam que estão sendo alvos de perseguição e intolerância religiosa .

Veja:

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