A atriz Erika Januza quebrou o silêncio sobre o fim do relacionamento com o músico Arlindinho, filho de Arlindo Cruz, durante sua participação no Saia Justa, do GNT, na quarta-feira (29). O término veio à tona depois que o cantor foi flagrado em uma casa de swing, levando Erika a deixar de segui-lo nas redes sociais e arquivar as fotos do casal.
No programa, a atriz foi direta sobre o impacto da situação na sua vida: "Nessa semana, minha vida virou um caos, não por obra minha, mas talvez por obra da minha sensibilidade de acreditar no amor, porque a responsabilidade do que eu estou sentindo agora e de tudo que aconteceu não é minha."
Ela também revelou o sentimento de culpa que costuma acompanhar as mulheres nessas situações: "Eu entreguei tudo de bom que eu tinha para entregar, e não me arrependo. Aí depois vem aquele momento: 'o que eu fiz de errado? O problema tá comigo?', porque a mulher está sempre achando que o problema é com ela." Sem citar o nome de Arlindinho diretamente, Erika deixou claro que o cantor "feriu seu inegociável". Dias antes, o músico havia se pronunciado publicamente para pedir desculpas à ex.
Abalo emocional
Para a psicóloga Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, uma grande decepção não compromete definitivamente a capacidade de ser feliz, mas o caminho até aí exige atenção. "Em momentos de sofrimento intenso, é comum que o cérebro tenha dificuldade para imaginar que a dor diminuirá. Mas sentir isso não significa que será verdade. Superar uma perda não significa esquecer quem passou por nossa vida. Significa aprender a reorganizar a própria existência sem que aquela experiência continue definindo todas as escolhas futuras", explica.
Sobre os hábitos que ajudam nesse processo, ela destaca: "Permitir-se viver o luto sem negar as emoções, manter uma rotina de sono, alimentação e atividade física, preservar os vínculos familiares e as amizades e retomar gradualmente atividades que proporcionem sentido e prazer são atitudes que favorecem a recuperação", orienta. "Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos pensamentos como 'nunca mais vou confiar em alguém' ou 'nunca vou conseguir ser feliz novamente'. Muitas dessas conclusões refletem o impacto emocional do momento, mas não necessariamente a realidade", afirma.
A psicóloga Jhoanne Hansen, especialista em Saúde Mental de Criadores de Conteúdo da Desvirtua, aponta que a decepção, quando não elaborada, pode contaminar experiências futuras. "Se não houver uma elaboração adequada da decepção, o sofrimento decorrente dela pode seguir influenciando as demais experiências a serem vividas dali adiante. Ao passar por um episódio significativo de desapontamento com o outro, podemos acionar mecanismos de defesa da nossa psique que, em última instância, nos levam a mais situações de dor", alerta.
Para a recuperação, ela defende uma abordagem gentil: "Estar na presença de amigos, encontrar pequenos momentos de prazer, se dedicar a alguma prática de autoconhecimento, tudo isso contribui para o reequilíbrio emocional. É importante que haja acolhimento de todos os sentimentos, mesmo os mais desconfortáveis, como raiva e tristeza. Tentar acelerar esse processo não contribui para o restabelecimento do bem-estar", pondera.
As duas especialistas também chamam atenção para o papel das redes sociais nesse processo, especialmente quando a dor é vivida publicamente, como no caso de Erika. Para Jhoanne, o custo pode ser alto: "As redes sociais nos mostram um recorte muito específico da realidade alheia, e quem está passando por um sofrimento emocional pode se cobrar por 'resolver' logo sua situação de dor. A pessoa pode ser impelida a mostrar aos seguidores que está bem, quando, na verdade, não é assim que se sente. Sustentar esse papel tem um custo psicoemocional muito alto", afirma.
Ela também alerta sobre o julgamento público: "Por se tratar de um momento de muita fragilidade, a pessoa pode não ter clareza suficiente para conseguir diferenciar o que é julgamento alheio do que é do seu mundo interno. Nesse momento, é importante estar cercada de uma rede de apoio de confiança para auxiliá-la nesse distanciamento, facilitando a conexão com sua própria verdade", conclui Jhoanne Hansen.