Em reprise nas tardes da Globo, "Terra Nostra" contou com Gianfrancesco Guarnieri no papel de Giulio Splendore, patriarca da personagem Giuliana, vivida por Ana Paula Arósio. O ator morreu em 2006, após passar mal enquanto atuava em uma produção de grande sucesso. A seguir, Splash revisita sua trajetória artística.
Natural de Milão, na Itália, Gianfrancesco Guarnieri chegou ao Brasil ainda na infância. Filho do maestro Edoardo Guarnieri e da harpista Elsa Martinenghi, ambos opositores do fascismo, foi criado no Rio de Janeiro. Na década de 1950, mudou-se para São Paulo, onde consolidou sua carreira nas artes.
Guarnieri tornou-se um dos pilares do Teatro de Arena, grupo responsável por transformar o teatro brasileiro ao abordar temas sociais e políticos de forma direta. Sua estreia como autor aconteceu com "Eles Não Usam Black-Tie" (1958), obra que expôs a realidade da classe trabalhadora e os embates entre pais e filhos. O texto entrou para a história e rendeu ao artista amplo reconhecimento.
A partir do final dos anos 1950, passou a dividir-se entre os palcos e a televisão. Estreou em "O Tempo e o Vento", na extinta Excelsior", e acumulou trabalhos em novelas e minisséries exibidas por emissoras como Tupi, Globo e Bandeirantes. Entre os títulos estão "A Muralha" (1968), "Mulheres de Areia" (1973), "Éramos Seis" (1977) e "Jogo da Vida" (1981).
Nas décadas de 1980 e 1990, integrou elencos de produções populares como Cambalacho (1986), Rainha da Sucata (1990) e A Próxima Vítima (1995). Também atuou em minisséries marcantes, como "Anos Rebeldes" (1992) e "Incidente em Antares" (1994).
Entre o público mais jovem, ficou eternizado como Orlando Silva, de "Mundo da Lua" (1991-1992). No clássico da TV Cultura — que recebeu uma nova versão este ano —, interpretou o avô do protagonista Lucas.
Além da atuação artística, Guarnieri teve participação ativa na vida pública. Foi Secretário Municipal de Cultura de São Paulo entre 1984 e 1986, durante a gestão de Mário Covas, sempre defendendo pautas sociais e a valorização da cultura popular.
Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Cecília Thompson, com quem teve os filhos Paulo e Flávio, ambos atores. Posteriormente, viveu por cerca de 40 anos com a socióloga Vanya Sant'Anna, com quem teve mais três filhos: Cláudio (Cacau), Mariana e Fernando, que também seguiram carreiras ligadas às artes.
Mesmo enfrentando problemas de saúde, manteve-se em atividade até o fim. Seu último trabalho foi como Pepe na novela "Belíssima" (2006), exibida pela Globo.
Durante as gravações da trama, passou mal, foi internado em São Paulo e morreu no mesmo ano, aos 71 anos. A causa divulgada foi insuficiência renal crônica. O ator foi sepultado em Mairiporã, cidade onde residia.