Ator detona peça feita por primo de William Bonner que não tem deficiência: 'Não aguento mais'

Cadeirante em peça, primo de William Bonner foi alvo de críticas feitas por ator que tem deficiência

25 ago 2026 - 22h25
Resumo
O ator cadeirante Tato Amorim criticou a escolha de atores sem deficiência para interpretar o escritor Marcelo Rubens Paiva no musical Feliz Ano Velho, apontando falta de oportunidades para a categoria. Em resposta, o ator Hugo Bonemer e o diretor Gustavo Barchilon defenderam a escalação, justificando que a estrutura da peça exige cenas de flashback que mostram a vida do protagonista antes e depois do acidente que o deixou tetraplégico.

Tato Amorim, ator que é cadeirante, usou o Instagram para compartilhar um vídeo no qual critica Feliz Ano Velho - O Musical, peça de teatro baseada no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, escritor e jornalista que ficou cadeirante após um acidente.

Tato Amorim e Hugo Bonèmer (Reprodução/Instagram)
Tato Amorim e Hugo Bonèmer (Reprodução/Instagram)
Foto: Contigo

Na produção, Hugo Bonèmer, que é primo de segundo grau de William Bonner, e Bruno Garcia vivem o autor. O fato de os artistas não serem deficientes gerou revolta em Tato. "Eu realmente estou muito cansado. Eu já não aguento mais me deparar com retrocesso que a cada dia que passa parece que continua a mesma coisa", reclamou o artista.

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"Com qual justificativa? Falta de verba? Falta de artistas com deficiência no mercado? Isso para mim não é justificativa. Eu conheço vários, eu posso listar vários aqui. Artistas com deficiência, inúmeras pessoas que estão, assim como eu, lutando para ter dignidade artística. O que acontece é que a gente não tem oportunidade, os testes não chegam, os convites não aparecem", destacou o astro.

"'Ah, mas tem ator com deficiência no elenco'. Mas porque o ator com deficiência não está compondo o lugar que deveria ser dele por direito? Até quando o nosso mercado artístico brasileiro vai ser responsável por esse retrocesso? Por essa falta de respeito e dignidade conosco, artistas com deficiência? Eu tô cansado", enfatizou Amorim.

RESPOSTA

Hugo deixou um comentário na postagem. "Querido Tato, a crítica é séria e eu não vou tratar como bobagem. O Marcelo, no espetáculo, é vivido antes e depois do acidente que o deixou tetraplégico, e essa construção também é parte do que estamos discutindo internamente. Te chamei no direct pra falar com calma, sem plateia. Sigo à disposição", disse o ator.

Gustavo Barchilon, que dirige o espetáculo, também se manifestou. "Para quem conhece o livro, a história parte da vida do Marcelo até o acidente e vai sendo construída por meio de flashbacks, nos quais ele volta no tempo e revive suas próprias histórias. Foi assim também na montagem teatral dos anos 80, protagonizada pelo Marcos Frota. Por isso, pela própria estrutura da dramaturgia, não seria possível ter o papel interpretado por uma pessoa cadeirante, já que acompanhamos o Marcelo em diferentes momentos da vida, inclusive antes do acidente", argumentou o profissional.

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