'Queria trabalhar com meu pai': Regis Faria revela origem de 'Perto do Sol é Mais Claro'

Diretor revela bastidores de filme feito durante a pandemia ao lado de seu pai, Reginaldo Faria, e que estreia nesta quinta (14) nos cinemas brasileiros

14 mai 2026 - 12h09

Perto do Sol É Mais Claro, longa-metragem de Regis Faria (Os Dez Mandamentos), retrata com bom humor e sensibilidade o protagonista Rêgi, interpretado pelo pai do diretor, Reginaldo Faria (Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia), mostrando como o envelhecimento pode ser um processo marcado por vitalidade, desejo e capacidade criativa. A novidade chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (14) e a Rolling Stone Brasil conversou em exclusividade com a dupla. Confira a seguir:

'Queria trabalhar com meu pai' Regis Faria revela origem de 'Perto do Sol é Mais Claro' (Divulgação/O2 Play Filmes)
'Queria trabalhar com meu pai' Regis Faria revela origem de 'Perto do Sol é Mais Claro' (Divulgação/O2 Play Filmes)
Foto: Rolling Stone Brasil

O desejo de trabalhar em família

O diretor Regis Faria encontrou em um período improvável da pandemia a oportunidade de realizar um desejo antigo: trabalhar ao lado do pai, o veterano Reginaldo Faria, hoje com 88 anos. Sem recursos tradicionais de produção e aproveitando espaços e objetos da própria família, o cineasta construiu um longa marcado pela mistura entre ficção e elementos pessoais, algo que acabou despertando no público a sensação de estar diante de uma autobiografia.

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Segundo Regis, tudo começou de forma bastante improvisada. Durante uma obra em sua casa, ele teve a ideia de usar aquele cenário real como ponto de partida para o filme. "Vamos fingir que seu personagem é um engenheiro que vem verificar a obra", contou o diretor sobre a proposta feita ao pai. A partir dessa premissa simples, nasceu o roteiro.

Sem financiamento ou leis de incentivo, o projeto foi tomando forma a partir dos ambientes disponíveis: a casa da família, objetos pessoais e locações cedidas por amigos e parceiros. O resultado foi um longa profundamente íntimo, mas ainda assumidamente ficcional.

"Acabei deixando os objetos que fazem parte da vida do meu pai. Achei que dessa forma também estaria homenageando a trajetória dele, da minha família e dos meus tios", explicou Regis. O diretor ressalta que o filme não é autobiográfico, embora dialogue diretamente com a história artística da família Faria.

O lado compositor de Reginaldo Faria

Além da atuação, o longa também evidencia um lado pouco conhecido de Reginaldo Faria: o de compositor. Toda a trilha sonora do filme utiliza músicas compostas pelo ator ao longo da vida, originalmente sem qualquer intenção cinematográfica.

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"Eu sempre toquei violão no sofá da minha casa para três ou quatro pessoas. Nunca tive coragem de subir num palco", revelou Reginaldo. O ator contou ainda ter se surpreendido ao receber um prêmio em um festival de cinema de Los Angeles também pela trilha sonora do longa.

Regis explicou que utilizou canções que o pai já havia composto anteriormente, encaixando-as organicamente na dramaturgia. O filme ainda traz músicas ligadas ao universo do Clube da Esquina e registros familiares em Super-8 exibidos nos créditos finais, sequência que, segundo o diretor, reserva uma "surpresa gostosa" para quem permanecer até o fim da sessão.

Participações especiais e homenagens afetivas

Outro momento especial destacado pelos realizadores foi a participação afetiva de Othon Bastos (Deus e o Diabo na Terra do Sol) no projeto. Amigo próximo de Reginaldo, o ator aceitou participar das filmagens de maneira espontânea, em um gesto descrito como símbolo do espírito coletivo da produção.

"Ninguém cobrou para fazer o filme. Todo mundo estava ali porque acreditava no projeto", afirmou Regis, definindo a obra como "um resultado de comunhão de afeto e vontade de fazer cinema".

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Escrita e solidão

A entrevista também revelou um lado mais introspectivo de Reginaldo Faria. Assim como seu personagem, o ator mantém uma forte relação com a escrita. Segundo ele, transformar roteiros não realizados em livros se tornou uma forma de enfrentar a solidão e mergulhar no processo criativo.

"Escrever me ajudou a sair da depressão e da solidão. É um momento em que você se abstrai das coisas ruins e entra naquele universo criativo", contou o ator.

Rolling Stone Brasil
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