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Quem foi Dagmar Overbye, a mulher que inspirou 'A Garota da Agulha'

Conheça os detalhes históricos do sombrio caso criminal dinamarquês do início do século XX que chocou a Europa e virou filme

30 out 2026 - 13h56
Resumo
O filme "A Garota da Agulha" retrata a história real de Dagmar Overbye, assassina em série que atuou em Copenhague entre 1915 e 1920. Fingindo intermediar adoções para famílias ricas, ela cobrava taxas de mães vulneráveis e asfixiava os recém-nascidos, ocultando os corpos. Descoberta após a denúncia de uma mãe, foi condenada à prisão perpétua pela morte de ao menos nove bebês. O caso chocou a Europa e motivou a criação de leis rígidas de proteção à infância e regulação de orfanatos na Dinamarca.

A perturbadora trajetória da assassina em série dinamarquesa Dagmar Overbye serviu de base para a narrativa de horror psicológico do aclamado longa-metragem A Garota da Agulha (2024), dirigido pelo cineasta Magnus von Horn.

'A Garota da Agulha'
'A Garota da Agulha'
Foto: Divulgação/MUBI / Rolling Stone Brasil

O drama resgata um dos capítulos policiais mais estarrecedores da Europa do início do século XX. Naquela época, a miséria urbana da capital dinamarquesa empurrava mulheres vulneráveis para um esquema clandestino que escondia uma rotina sistemática de infanticídios sob o pretexto de caridade.

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Quem foi Dagmar Overbye na história real?

Dagmar Overbye foi uma assassina em série dinamarquesa que atuou entre 1915 e 1920 em Copenhague. Fingindo gerenciar uma agência de adoção, ela cobrava quantias de mães desamparadas prometendo encaminhar os bebês a famílias abastadas, mas assassinava as crianças logo após o acolhimento.

A criminosa atraía principalmente jovens operárias fabris e mães solo sem recursos financeiros. Como a gravidez fora do casamento carregava um forte preconceito social e impedia o sustento básico, muitas jovens viam na entrega da guarda a única alternativa de sobrevivência para os recém-nascidos.

Como funcionava o esquema criminoso em Copenhague

Em vez de procurar famílias adotivas, a mulher eliminava as vítimas nas primeiras horas após o recebimento do pagamento. As investigações policiais iniciadas em setembro de 1920 apontaram práticas brutais repetidas ao longo dos anos na capital:

  • cobrança antecipada de taxas para custear supostos trâmites de adoção;
  • estrangulamento, afogamento ou asfixia dos recém-nascidos em seu apartamento;
  • incineração de restos mortais no fogão da cozinha ou ocultação em bueiros;
  • uso do dinheiro recolhido para custear moradia, bebidas e remédios.

A descoberta ocorreu quando uma jovem costureira, após entregar o bebê, arrependeu-se e retornou ao endereço para desfazer o acordo. Ao ouvir respostas evasivas e incoerentes, a mãe procurou a polícia, que encontrou roupas de crianças e fragmentos de ossos no local.

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Qual foi a condenação de Dagmar Overbye

O julgamento terminou em 3 de março de 1921 com ampla repercussão na imprensa escandinava. O tribunal condenou Dagmar Overbye pelo assassinato comprovado de nove bebês, apesar de a ré ter admitido a morte de dezesseis crianças durante os interrogatórios. Suspeitas policiais apontavam para até 25 vítimas.

A Justiça determinou a pena de morte, mas a sentença foi convertida em prisão perpétua. A mulher permaneceu reclusa até morrer aos 42 anos, em 6 de maio de 1929, no presídio de Vestre Fængsel. O escândalo acelerou mudanças na legislação da Dinamarca, resultando na criação de leis rigorosas de proteção à infância e supervisão estatal de orfanatos nos anos seguintes.

Nas telas, a atriz Trine Dyrholm interpreta a assassina, enquanto Vic Carmen Sonne vive a protagonista Karoline. O filme reconstitui como o abandono institucional e a miséria permitiram a consolidação de um dos crimes mais brutais da história nórdica.

Rolling Stone Brasil
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