Oscar 2026: estrategista de imagem analisa 7 looks do red carpet

16 mar 2026 - 13h45
(atualizado às 13h51)

A edição deste domingo (15) do Oscar 2026 reforçou um movimento que vem se consolidando nos últimos anos: o tapete vermelho deixou de ser apenas um espaço de glamour e passou a funcionar como um território claro de construção estratégica de imagem.

Bruna Marquezine
Bruna Marquezine
Foto: Reprodução/Instagram / Elas no Tapete Vermelho

Em vez de looks apenas espetaculares, muitas atrizes apostaram em escolhas que comunicam momento de carreira, identidade estética e cultural e posicionamento dentro do circuito internacional.

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Janaina Souza, estrategista de imagem
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Confira a análise da estrategista de imagem Janaina Souza de 7 looks das famosas no tapete vermelho do Oscar. 

Maria Fernanda Cândido
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Entre as brasileiras, Maria Fernanda Cândido, usando um vestido preto assinado por Vivienne Westwood e joias da Tiffany & Co., apareceu com uma elegância extremamente precisa. O look aposta em uma sofisticação clássica, com uma silhueta limpa e bem estruturada, que conversa diretamente com a imagem de atriz madura e cosmopolita que ela vem consolidando fora do Brasil. É uma escolha que evita excessos e reforça autoridade — algo muito potente em um tapete vermelho onde, muitas vezes, o impacto visual vem pelo exagero.

Bruna Marquezine, convidada do evento, segue em um movimento diferente: o de construção de uma imagem claramente conectada ao circuito global da moda. Com um vestido de strass sem alças da Gucci, seu look aposta em uma estética mais fashionista, com um styling que dialoga com tendências e com o universo das grandes maisons. É um posicionamento interessante porque reforça Bruna como uma atriz que transita com naturalidade entre o cinema e a indústria da moda.

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Emma Stone apareceu com um visual que traduz bem sua assinatura estética: elegância com personalidade. A atriz escolheu um vestido prateado sob medida da Louis Vuitton, marca da qual é embaixadora. A peça chamou atenção pelo acabamento reluzente, bordado à mão, criando um efeito visual impactante sob as luzes do tapete vermelho. Emma tem uma habilidade interessante de escolher peças que valorizam sua delicadeza natural sem cair em uma leitura excessivamente romântica, mantendo sempre um certo frescor.

A brasileira Alice Carvalho chamou atenção por apostar em um visual que equilibra presença e sofisticação. A escolha, assinada pela marca brasileira Normando, foi feita com fibras de juta e malva amazônica. Essas fibras são produzidas por diversas famílias nos estados do Amazonas e do Pará, sem uso de agrotóxicos ou pesticidas e com irrigação natural dos rios e igarapés da região. Além do material, outro destaque do look foi um broche que faz referência a Abya Yala, nome dado ao continente americano pelo povo Kuna, originário do Panamá, que significa "terra que floresce", "terra viva" ou "terra madura". O detalhe adiciona uma dimensão simbólica e política ao visual.

Jessie Buckley, vencedora da noite na categoria de melhor atriz, trouxe um visual com mais carga dramática. O look faz referência ao glamour clássico de Hollywood, evocando um dos vestidos mais icônicos de Grace Kelly, usado no Oscar de 1956 — sua última aparição na premiação antes de entrar para a realeza. Esse tipo de escolha reforça a importância do tapete vermelho também como espaço de releitura e diálogo com a história da moda e do cinema.

Chase Infiniti
Foto: Louis Vuitton/Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Chase Infiniti apostou em uma proposta mais ousada e contemporânea. O visual chama atenção justamente por fugir de uma leitura tradicional do red carpet, explorando uma estética mais experimental. Assinado pela Louis Vuitton, o vestido levou cerca de 750 horas para ser confeccionado e foi complementado por joias que somavam mais de 164 quilates, reforçando uma presença impactante e teatral no evento.

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Entre as presenças mais aguardadas da noite, Anne Hathaway reafirmou sua relação com o glamour clássico de Hollywood. A atriz usou um vestido floral que dialoga com o imaginário da primavera na moda, associado à tradição da casa Valentino. O visual também foi interpretado como uma forma de celebrar o legado do estilista Valentino Garavani, morto em janeiro deste ano, com quem Hathaway sempre teve uma relação próxima, ao mesmo tempo em que brinca com a narrativa clássica do romantismo primaveril no universo do styling.

Hathaway costuma apostar em escolhas extremamente refinadas e bem resolvidas do ponto de vista de styling, e dessa vez não foi diferente. O resultado é um visual elegante e consistente com a imagem sofisticada que ela construiu ao longo da carreira.

Conclusão

No conjunto, o tapete vermelho desta edição do Oscar mostrou um equilíbrio interessante entre tradição e construção contemporânea de imagem. Enquanto algumas atrizes reforçaram o glamour clássico que historicamente marca a premiação, outras usaram a moda como ferramenta clara de posicionamento mostrando que, no Oscar, vestir-se bem nunca é apenas uma questão estética, mas também narrativa.

Texto exclusivo para o Elas no Tapete Vermelho porduzido por Janaina Souza (@janasouzamoda) estrategista de imagem e estilo. 

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