Lula é oficializado candidato à reeleição hoje em convenção do PT ainda sem cumprir promessas de mandatos passados
Eleito presidente da República em 2002, 2006 e 2022, o petista tentará seguir no posto em mais um mandato
Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é oficializado como candidato à reeleição para a Presidência da República em convenção partidária do Partido dos Trabalhadores neste domingo, 2, em São Paulo. O petista já foi eleito em três oportunidades. Em todo esse período à frente do Executivo, há promessas de campanha que não foram cumpridas --e podem acabar sendo renovadas nesta corrida eleitoral.
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O anúncio foi feito por Edinho Silva, presidente do PT, em meio a uma 'onda vermelha' dentro do Expocenter Norte antes do início da cerimônia, em si. Como explicou, a candidatura foi homologada tecnicamente por volta de 10 horas na convenção, que foi feita de maneira interna no partido, e deu a notícia ao público.
Lula entrou no jogo político como líder sindical e metalúrgico, sendo um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 1980. Antes de ser presidente da República pela primeira vez, perdeu três eleições (1989 1994 e 1998). Foi na mudança para uma figura ‘Lulinha paz e amor’ e articulações para retomada econômica que ele conseguiu conquistar o eleitorado.
Em 2002, o Brasil enfrentava uma crise econômica, com alta inflação e desconfiança do mercado financeiro, após o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Na chamada “Carta ao Povo Brasileiro”, na época, Lula falava sobre resgatar a soberania do país, realizar uma reforma tributária, combater a miséria e fazer uma reforma trabalhista.
No mandato de 2002, ele não conseguiu erradicar a fome, uma de suas promessas. Mas o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014, durante mandato de Dilma Rouseff (PT). Depois, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e a pandemia de covid-19, o País retornou à listagem. E em 2025, com Lula presidente novamente, o Brasil voltou a ficar de fora do mapeamento.
Outra bandeira levantada nesse primeiro mandato era a de redução da jornada de trabalho --na época, com a discussão de reduzir de 44 horas semanais para 40 horas sem diminuir os salários. Na época, ele não teve força política frente ao Congresso para fazer a mudança geral. Anos depois, o tema segue em debate. E, agora, o tema segue vivo na busca do petista pelo fim da jornada 6x1.
A meta de gerar 10 milhões de empregos de 2002 a 2005 também não foi cumprida. O mercado melhorou, mas a meta foi cumprida quase que pela metade --com em torno de 4,6 milhões de empregos formais tendo sido criados no seu primeiro mandato. A reforma tributária, por sua vez, também veio a ser resolvida só agora, com aprovação durante seu terceiro mandato.
Segundo mandato
Em 2006, Lula venceu a disputa contra Geraldo Alckmin, que na época era o representante do principal partido da oposição, o PSDB. O mesmo Alckmin que, agora, está sendo oficializado mais uma vez como seu vice-presidente. Na época, foi um mandato que se deu em contexto de desgaste político por conta do escândalo do Mensalão. Em paralelo, o mundo também lidou com uma grande recessão em 2008.
As metas propostas por Lula neste segundo mandato não foram tão específicas quanto às do mandato anterior. Mesmo assim, por exemplo, o petista conseguiu cumprir acelerar o crescimento econômico com investimentos em infraestrutura e expandiu o Ensino Público Superior e Técnico.
O que ele não fez foi conseguir realizar uma reforma política. No caso, ele defendia a criação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para uma reforma política e levava isso como uma das promessas de campanha. A ideia de Lula encontrou resistência no Congresso Nacional e a proposta não chegou a ir para frente.
Terceiro mandato
Depois da reeleição de Lula, Dilma Rousseff seguiu o projeto petista no poder – sendo presidente de 2010 a 2016, quando sofreu impeachment após ser reeleita. Lula retornou à presidência em 2022, após derrotar Jair Bolsonaro em uma tentativa de reeleição. Agora, na reta final de seu terceiro mandato, ainda há promessas de campanha pendentes.
O 'Lula 3’ conseguiu cumprir metas significantes: como fazer a tão discutida reforma tributária, zerar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, recriar ministérios de Cultura, Previdência Social e abrir o de Povos Originários, e não privatizar o Banco do Brasil, nem os Correios e a Petrobrás.
Em paralelo, descumpriu sua palavra de que não disputaria nas eleições de 2026. Também não conseguiu universalizar a banda larga em escolas, nem zerar filas geradas pela pandemia que foram acumuladas no Sistema Único de Saúde (SUS), nem recriar o Ministério de Segurança Pública, outras promessas da última campanha.
O plano de governo de Lula também trazia como compromisso propor uma nova legislação trabalhista de proteção social -- algo que, de forma ou outra, sempre fez parte das promessas do petista. Em meio a isso, o governo tem articulado o fim da escala 6x1, aprovada na Câmara em maio deste ano. O texto, porém, não avançou no Senado, e deve ficar como uma pendência.

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