Onda vermelha: militância do PT 'invade' Expocenter Norte para oficializar chapa Lula-Alckmin
Apoiadores enfrentam filas na Zona Norte de SP para convenção do PT; evento reúne frente ampla histórica com 7 partidos
Basta passar pelos arredores do pavilhão amarelo do Expocenter Norte, em São Paulo, na manhã deste domingo, 2, para saber que algum evento relacionado a Lula e ao Partido dos Trabalhadores está acontecendo. Com uma presença massiva da cor vermelha em roupas e adereços, apoiadores fieis enfrentam uma longa fila para ver de perto a Convenção Partidária do PT Nacional que lançou Lula à reeleição.
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De cara é possível se deparar com dezenas de bonés vermelhos do PT, bandeiras do partido e adereços diferenciados como bonecos de Lula e camisetas personalizadas. Por mais que o vermelho seja predominante, há também um movimento de tentativa de resgatar o verde e amarelo da bandeira do Brasil -- que nós últimos anos acabou se tornando sinônimo da direita bolsonarista na politica brasileira.
Quem não veio com algo de casa e quer 'entrar para o grupo', é possível comprar bonés, bandeiras e até leques. Os produtos são vendidos por valores entre R$ 30 e R$ 40. Ao Terra, vendedores comentaram que o produto que mais sai é o boné em referência a revolução cubana e o clássico vermelho com o nome de Lula.
'Companheira' há mais de 50 anos
Valmira Coelho de Araujo, que marcou presencial no evento, é uma das fieis apoiadoras de Lula. Aos 76 anos, envolta a uma bandeira com o rosto do petista, ela contou que conhece Lula desde quando ele era metalúrgico e que acompanhou as articulações da criação do PT.
"Sempre participei. Fui em duas posses e pretendo ir na próxima", contou ela, que atua na "luta" há mais de 50 anos. Ela também foi duas vezes para Curitiba, participar de vigílias enquanto Lula estava preso. Para ela, o presidente sempre foi transparente e as acusações contra ele acontecem por se incomodarem com seu sucesso.
Por acompanhar a trajetória de Lula a décadas, ela diz reconhecer que também há o que melhorar. "Gostaria do fim da jornada 6x1, mas sabemos que ele [Lula] tem se esforçado. Não colocamos isso na conta dele. Quem não se esforça é o Congresso, que senta em cima dos projetos e trava".
Outro ponto que destaca é que, para ela, o governo poderia trabalhar mais no sentido da atenção a terceira idade. "Precisa de mais atenção, principalmente pra quem não tem pra onde ir, não tem filho, neto, família e fica jogado", afirma.
Pensando em promessas que acompanham o petista desde o primeiro mandato, para ela a reforma agrária deveria ter avançado mais, assim como pautas ambientais. Valmira cita o avanço de mineradoras e do agronegócio, que deveriam ser acompanhados com mais atenção.
Resgatar a bandeira
Cacio Pereira Nunes, de 60 anos, é de São Paulo e veio para a convenção trajado de uma blusa da Seleção Brasileira estilizada: em camiseta vermelha. Ele contou que escolheu a blusa por ser petista e, hoje, ser um dia de também valorizar o partido. Porém também não deixa de usar a tradicional camisa verde e amarela e comenta sobre a importância de desvincular a bandeira do Brasil da direita.
Se a direita quisesse, que fizesse uma bandeira dela. Na criação do PT criaram uma bandeira do partido. A bandeira do Brasil não é do Bolsonaro. A bandeira é nossa.
Por mais que o evento internamente esteja tomado por uma 'onda vermelha', desde o publico às luzes que preenchem o centro de convenções, o verde e amarelo aparece em peças de campanha de Lula.
Mais sobre a convenção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será oficializado como candidato à reeleição neste domingo, 2. Se eleito, esse será o quarto mandato do petista.
Com o anúncio, será renovada a chapa de 2022: com Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente, conforme oficializado em convenção do PSB em Brasília na última quarta-feira, 29.
Está confirmada a presença ao evento de políticos como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo; dos governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), e da governadora Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte). Os candidatos majoritários das 27 Unidades da Federação também devem marcar presença.
O PT destaca que essa será a primeira vez desde 1989, quando as eleições voltaram a ser diretas, que os sete partidos do campo progressista estarão unidos em torno de um mesmo nome no primeiro turno de uma eleição presidencial. Foi formada a Federação Brasil da Esperança com PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT.
O primeiro evento oficial de campanha está marcado para o dia 16 de agosto, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no estádio da Vila Euclides -- região onde Lula foi líder sindical.
Lula x Flávio
Em pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg, divulgada na última quarta-feira, 28, Lula aparece com 9 pontos de vantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para a Presidência da República no primeiro turno das eleições deste ano. A pesquisa foi registrada sob o protocolo BR-08602/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 44,9% das intenções de voto, enquanto Flávio registrou 35,8%.
Mais distantes, estão na sequência Renan Santos (Missão), com 7,8%; Ronaldo Caiado (PSD), com 3,1%; Romeu Zema (Novo), com 2,6%; Samara Martins (UP), com 2,1%; e Augusto Cury (Avante), com 1,6%.
Com menos de 1% das intenções de voto foram elencados Cabo Daciolo (Mobiliza) e Hertz Dias (PSTU) com 0,1%; e Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) com 0%. Votos brancos ou nulos somaram 0,6%. Outros 1% não souberam responder.
Em um eventual segundo turno das eleições para Presidência entre Lula e Flávio, o petista marca 49,2% ante 42,9% do senador. Brancos, nulos ou não souberam responder 7,9%. Na pesquisa anterior, de junho, Lula apareceu com 48,8% e Flávio com 42,3%. Brancos e nulos estavam em 8,9%
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