'Inventei a peça para trabalhar com eles': o espetáculo que lançou Wagner Moura, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos

A peça 'A Máquina' foi adaptada por João Falcão em Salvador, na Bahia, no final da década de 1990

11 mar 2026 - 04h57
'Inventei a peça para eles', relembra diretor que lançou Wagner, Vladimir e Lázaro na cena nacional
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“Você precisa conhecer o Wagner”. Foi com essa frase que o renomado diretor teatral João Falcão foi instigado pelo jovem Vladimir Brichta a assistir ao futuro indicado ao Oscar de Melhor Ator, em uma peça em Salvador, no final da década de 1990. Wagner Moura estava em cartaz com o espetáculo Abismo de Rosas, e a atuação surpreendeu Falcão.

“Era muito bom mesmo. Wagner era muito bom”, relembra o diretor, hoje com 67 anos. Quando terminou a peça, ele foi se apresentar ao ator e parabenizá-lo pela performance, ao que Wagner respondeu: “Mas você precisa conhecer o Lazinho.”

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Wagner Moura, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e Gustavo Falcão interpretavam um só Antônio
Wagner Moura, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e Gustavo Falcão interpretavam um só Antônio
Foto: Guto Muniz

João Falcão, que antes já tinha ficado impressionado com a atuação de Wagner e de Vladimir, também se encantou com a performance de Lázaro Ramos, a quem assistiu por meio de uma fita VHS. E foi assim, de indicação em indicação, que o diretor se viu impelido a inserir os três jovens atores baianos em sua próxima peça. 

“Eu peguei essa peça, que era a história do Antônio, aí eu tive essa ideia de fazer com quatro pessoas representando o mesmo personagem porque eu conheci esses atores. Eles me levaram a fazer uma peça que era simplesmente um ator virar quatro atores interpretando, porque eu queria trabalhar com esses meninos. Eles eram muito jovens mesmo, tinham no máximo 23 anos”, explicou em entrevista ao Terra.

Fotos do ensaio de 'A Máquina' clicadas pela fotógrafa Sandra Delgado, esposa de Wagner até hoje
Foto: Sandra Delgado
Fotos do ensaio de 'A Máquina' clicadas pela fotógrafa Sandra Delgado, esposa de Wagner até hoje
Foto: Sandra Delgado

O quarto ator em questão era Gustavo Falcão, que já era conhecido de João, do Recife (PE), e a peça adaptada refere-se a A Máquina, adaptação do livro de Adriana Falcão. O espetáculo é tido como o responsável por catapultar as carreiras do trio baiano para o cenário nacional e para as produções da Globo. 

“Falam que eu trouxe eles para o universo mais popular, mais abrangente do Brasil. Eles já se admiravam lá em Salvador. Eles eram bons em Salvador, mas eram muito jovens. Eles estavam saindo da escola de teatro. E eu fiquei realmente muito impressionado com os três, tanto que inventei essa peça para poder trabalhar com eles, na verdade”, conta. 

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A peça foi uma das grandes criações de João Falcão, que antes já tinha no currículo espetáculos estrelados por Marco Nanini, Andréa Beltrão e Marieta Severo. Mas nada era tão complexo quanto A Máquina. 

“Quatro atores interpretavam o mesmo personagem. Então era uma história que a gente tinha uma roda, assim, que girava.Tinha quatro plateias. E eles ficavam trocando as plateias. Contando cada um, meio que disputando a mesma personagem feminina, que era a Karina. E, às vezes, eles faziam juntos. Às vezes, cada um contava a sua história. Mas eram quatro atores querendo contar uma história de Antônio e isso se completava com cada informação de cada um”, explica João Falcão. 

Os quatro atores faziam um só personagem e disputavam a protagonista Karina
Foto: Guto Muniz

A peça foi montada primeiro no Recife, de onde o diretor é natural, depois foi para o Festival de Curitiba, seguiu para o Rio de Janeiro e São Paulo. Após o sucesso, não foi mais possível continuar com as apresentações porque os trio baiano já estava muito requisitado na televisão. 

Falcão, que também trabalhava na Globo, teve então a ideia de fazer a série Sexo Frágil, onde reunia Wagner, Vladimir e Lázaro. “Essa série também foi muito bem sucedida. Só que também, rapidinho, eles foram pegos pelo horário nobre, pela novela. O Wagner foi protagonizar a novela, o Lazinho foi protagonizar a novela, e o Vladimir já estava na televisão, foi o primeiro que entrou na televisão.”

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A Máquina voltou a ser montada em 2025, em São Paulo. Dessa vez, João Falcão foi convidado por uma companhia de atores da capital paulista para voltar com a icônica peça aos palcos. O novo elenco conta com uma participação simbólica: Agnes Brichta, filha de Vladimir Brichta, foi quem deu vida à protagonista Karina nessa nova versão. 

O diretor explica que manteve a ideia do original, com quatro atores interpretando Antônio, mas Karina ganhou mais espaço nessa montagem. O retorno do espetáculo ocorreu justamente 25 anos depois de sua estreia. A temporada aconteceu apenas em São Paulo, mas a expectativa é de que a peça volte a ser apresentada este ano em outras cidades do País.

Fonte: Portal Terra
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