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Música, teatro e futebol: Wagner Moura explorou mil e uma facetas ao lado de 'geração mágica' em faculdade na Bahia

Amigos e colegas da época da Facom relembram histórias do indicado ao Oscar; spoiler: em todas, Wagner Moura é sempre bom moço

2 mar 2026 - 23h58
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Música, teatro e futebol: Wagner Moura explorou facetas ao lado de 'geração mágica' na faculdade:

Se fizessem um filme sobre a vida de Wagner Moura, já dá para imaginar os comentários dos telespectadores: “Não é possível um cara ser tão boa praça assim, só em filme!”.

De relato em relato surgem novas facetas do primeiro ator brasileiro indicado ao Oscar. Além de ator, muita gente sabe que Wagner é cantor e jornalista formado. Agora, que ele é perna de pau no futebol, “canceriano generoso” e com “veia artística” apurada desde novo são algumas outras características que só os mais próximos conheceram. 

Era década de 1990, em Salvador. Wagner Moura tinha ingressado em Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), carinhosamente chamada de Facom. Como qualquer jovem adentrando a universidade, é possível que ele não sabia nem um terço do que viveria por aqueles corredores e quantos por cento de si mesmo seriam impactados pela Facom. Pensando na vida pessoal de Wagner, foi lá que ele conheceu a esposa, Sandra Delgado, e fez alguns de seus grandes amigos. 

“Eu vi nascer o casamento dele com Sandrinha. Foi mais especificamente em um carnaval, no bloco Os Mascarados, de Margareth Menezes”, conta o ex-deputado federal Jean Wyllys, com um sorriso no rosto enquanto rememora as lembranças da época. 

Wagner Moura e Sandra Delgado se conheceram na Facom, mas começaram o relacionamento depois
Wagner Moura e Sandra Delgado se conheceram na Facom, mas começaram o relacionamento depois
Foto: Tristan Fewings/Getty Images

O tradicional bloco nasceu em 1999 e é conhecido por arrastar foliões fantasiados, muitos deles homens gays, pelo carnaval de Salvador. Wagner vestia apenas um boá enrolado em volta do pescoço. “Eu falei ‘bicha, que fantasia é essa que a senhora está?’. E ele: ‘Estou de ‘botei um boá e vim’”, relembra Jean, que enaltece a forma com que Wagner, um homem hétero, sempre o tratou.

“Até hoje quando a gente se encontra, a gente só se trata assim, no feminino. Você vê como ele é tão bacana”, afirma. Foi por causa desse jeito de Wagner, inclusive, que chegaram a rolar boatos de que os dois já foram namorados. Em 2019, o ator deu um selinho carinhoso no ex-colega faconiano durante a exibição do filme Marighella, no Festival de Berlim, na Alemanha. Jean estava fora do Brasil, vivendo seu autoexílio. 

Jean Wyllys se aproximou de Wagner por gostar de teatro
Jean Wyllys se aproximou de Wagner por gostar de teatro
Foto: Reprodução

‘É Facom, p***’

Foi também no Festival de Berlim que foi gravado um dos vídeos mais icônicos entre Jean Wyllys e Wagner Moura --ao menos, para os estudantes da Facom. Os dois, ao lado de Sandra Delgado, aparecem animados mandando “um beijo para Jussi” e emendam com o grito de “É Facom, porra”. 

Jussi é Jussilene Santana, atriz e hoje diretora do Instituto Martim Gonçalves, no Rio de Janeiro. Grande amiga de Sandra e Jean, o ex-BBB revela ter confidenciado somente a ela e a um outro amigo que iria entrar no reality show da Globo. Sobre o grito de guerra dos faconianos, Jean explica que era um jargão muito usado pela geração dos anos 1990.

“Tem uma coisa mágica nessa geração, que a gente não sabe explicar o que foi, mas essa geração foi a que mais, assim, explodiu e aconteceu”, diz. De fato, a Facom daqueles anos está repleta de nomes de peso – e muitos deles se destacaram para além do jornalismo. É o caso do próprio Wagner, Sandra, Jean e Jussilene, além de tantos outros. 

A explicação principal varia entre eles. Jussilene considera que pode ser o fato de que não havia muitas opções de cursos nas faculdades públicas nas áreas das Artes e Comunicação, então muita gente acabava escolhendo Jornalismo. Além disso, o curso era um dos que dava mais segurança no mercado.

A atriz Jussilene e Wagner Moura juntos
A atriz Jussilene e Wagner Moura juntos
Foto: Arquivo Pessoal

“Quem queria fazer teatro, mas tinha medo do mercado teatral, fazia jornalismo. Inclusive, as faculdades eram muito próximas. Isso facilitava muito, porque os diretores propensos a dirigir filmes ou curtas estavam com atores em sala. Sandra, por exemplo, é uma cineasta de curta, dirigiu na Facom alguns curtas. Essa gente estava se mexendo dentro de um ambiente que estava nessas circunstâncias”, afirma. 

Já Pablo Reis, hoje jornalista e apresentador da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, pondera que a alta concorrência para fazer Jornalismo na época acabava nivelando os ingressos pelos alunos mais dedicados. “Essas pessoas, por serem muito dedicadas, ou terem um talento natural para alguma área, terminavam se destacando em algum segmento”, reflete. 

Pablo é um dos alunos na foto que viralizou do time de futebol da Facom. Ele, Wagner Moura e André Henning, jornalista esportivo do TNT, são algumas das figuras proeminentes que compunham a equipe. O indicado ao Oscar, porém, não tinha lá tanta habilidade com a bola. 

“Ele é um excelente ator, talvez o melhor do mundo, mas, como jogador, eu não posso dizer o mesmo”, brinca Pablo Reis. Cabeludo, com braços cruzados em frente ao peito e feição séria, Wagner se encaixava bem na foto da equipe, mas só jogava mesmo quando o time sofria algum desfalque. 

Wagner Moura, André Henning e Pablo Reis eram alguns dos integrantes do time de futebol da Facom
Wagner Moura, André Henning e Pablo Reis eram alguns dos integrantes do time de futebol da Facom
Foto: Arquivo Pessoal/Pablo Reis

Os tantos prêmios que hoje, enquanto ator, Wagner levantou devem ter curado a falta de um título no futebol. Segundo Pablo, o mais longe que chegaram foi às oitavas de final, quando foram eliminados pelo time de Educação Física. “Eles treinavam para isso e a gente só queria se divertir”, diz. 

Apesar do desempenho não tão elevado, Pablo Reis enaltece algumas figuras do time. Uma delas é Carlos Alessandro, mais conhecido como Leco, citado como um dos craques da equipe. Hoje sócio de uma agência de comunicação em São Paulo, aos 51 anos, Leco mantém vivo o costume da juventude e ainda bate uma bolinha. Já com Wagner, não se encontra mais para jogar futebol, mas para fazer música. 

Você devia ouvir Sua Mãe

Leco é integrante da banda Sua Mãe. O grupo surgiu em 1992, antes mesmo de Wagner Moura ingressar na Facom, e permanece ativo até hoje. É claro, com cada um de seus integrantes em um canto do Brasil e do mundo, os encontros são esporádicos. Mas o jornalista afirma que a intenção sempre foi ser um encontro de amigos – e encontros de amigos nunca acabam. 

Banda Sua Mãe é composta por Wagner Moura, Gab Carvalho, Leco, Claudinho Cha Cha, Serjão, Tangre (in memorian) e Ede
Banda Sua Mãe é composta por Wagner Moura, Gab Carvalho, Leco, Claudinho Cha Cha, Serjão, Tangre (in memorian) e Ede
Foto: Reprodução

“A fase profissional da banda Sua Mãe foi a menor parte da história da banda”, diz. Ele conta que quando Wagner já estava com a carreira de ator encaminhada sugeriu fazer apresentações e trabalhos mais profissionais. Hoje, o grupo tem dois álbuns. O segundo foi publicado em 2023, mas feito quase à distância, com materiais que a banda já tinha. 

O encontro mais recente do grupo foi na casa de Wagner em Salvador. “A gente fez uma farra grande, um sambão pós-Natal”, conta Leco. Ele brinca que a banda está disponível para fazer um show a qualquer momento, até mesmo abrir a cerimônia do Oscar. 

“Se a gente vai fazer alguma coisa profissional ou não depende dele, depende da motivação, do tempo, da energia. Mas isso [a banda], eu não tenho a menor dúvida que isso traz para ele um carinho grande, uma força, uma inspiração. Porque a gente também está trocando ideias ali sobre música e apresentando as coisas que cada um gosta de ouvir. Eu acho que tudo isso vira um grande caldeirão de ideias que pode espraiar em qualquer coisa”, afirma. 

O Oscar

Wagner Moura em 'Abismo de Rosas', peça de 1997
Wagner Moura em 'Abismo de Rosas', peça de 1997
Foto: Reprodução

De vocalista a jogador de futebol, todo mundo na Facom já sentia que o ponto forte de Wagner Moura mesmo estava na atuação. Ele até chegou a atuar como jornalista propriamente dito. Leco conta que eles mais dois amigos, ainda na faculdade, tiveram juntos a COM 004, uma empresa de assessoria de imprensa voltada para a área da cultura. A dupla também viveu a experiência do primeiro emprego em Jornalismo, na Agenda Cultural da Funceb. “Diversão total”, relembra o amigo. 

Mas nos palcos, Wagner brilhava. Jean Wyllys se lembra da primeira peça que assistiu com ele atuando. Era a montagem de Abismo de Rosas, de 1997. “Ele já era um assombro. Já foi um assombro para todo mundo, para a cena teatral baiana, para todos nós, como aquele cara tão jovem era tão talentoso daquele jeito”, afirma. 

Para o Oscar, os amigos estão com altas expectativas. Ao mesmo tempo, se a vitória não vier, ninguém vê problema. Eles parece achar a estatueta um tanto pequena perto de quem Wagner Moura é.

Fonte: Portal Terra
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