Em uma entrevista sobre a criação do filme Guerreiras do K-Pop(2025), diretores, produtores e atrizes do sucesso da Netflixentraram em detalhes sobre o processo de desenvolvimento do projeto. Na parte da conversa com o The New York Times que abordava as músicas, membros da equipe criativa do filme admitiram que o passo a passo para desenvolver o maior sucesso da trilha sonora envolveu ouvir alguns dos grandes nomes do rap.
Para a diretora Maggie Kang, o primeiro desafio foi desenvolver uma trilha que coubesse perfeitamente tanto dentro do filme quanto fora dele. "Este conceito [da trama] é tão maluco que as músicas tinham que ser fantásticas para serem aceitas", explicou Kang. "E era importante para nós que as músicas servissem à história, mas que, como canções pop independentes, pudessem entrar nas paradas da Billboard."
A trama acompanha uma banda feminina fictícia de K-pop, Huntr/x. As integrantes Rumi (Arden Cho), Mira (May Hong) e Zoey (Ji-young Yoo) levam uma vida dupla como artistas e caçadoras de demônios, e enfrentam uma banda rival de demônios secretos, os Saja Boys. O sucesso do filme fez com que algumas de suas músicas se tornassem hits nas paradas musicais. "Golden" manteve o primeiro lugar na Billboard Hot 100 por oito semanas consecutivas, tornando-se a primeira faixa associada ao pop coreano e apenas com cantoras femininas a alcançar a primeira posição nas paradas norte-americanas.
Foi o codiretor Chris Appelhans que explicou as inspirações por trás da música de maior sucesso: " Para 'Golden', nossas referências foram uma música do Biggiechamada 'Juicy'. Também havia Drake, Eminem, Lil Wayne. Eram músicas sobre começar do nada e se encontrar através da música."
A compositora Ejaeexplicou a dificuldade em escrever letras que coubessem na trama e nas paradas de sucesso: "Eles nos davam notas extensas sobre o que queriam sonoramente, o que queriam que os personagens dissessem, destacavam certas palavras." Como também foi a voz cantada de Rumi, protagonista do filme, a musicista pode entrar em detalhes sobre o método vocal para alcançar essa dualidade. "Nossa dicção era muito importante. Na verdade, foi bem difícil porque há um vocabulário limitado — certas palavras funcionam em musicais, mas soam bregas no pop. Tipo: "Não podemos nos afastar da luz". Você não ouve isso em uma música pop. Em vez disso, é: "Cansei de me esconder", comentou.
Chamada para interpretar as músicas da personagem em 2022, quatro anos após o início da jornada de desenvolvimento de Guerreiras do K-Pop, Ejae não planejava dar voz às suas letras. "Não vou mentir, eu estava hesitante. Não gosto de cantar em estúdio; adoro estar nos bastidores. Era muita pressão — afinal, era o papel principal", admitiu. "O que me fez aceitar foi a praticidade. Eu escrevi a música; conheço as nuances e sei como apresentá-la. Eu tinha confiança nisso."
"Gravamos umas oito versões de 'Golden'", lembrou Kang. "A última chegou quando eu estava num carro em Vancouver a caminho do aeroporto. Ouvi as primeiras notas vibrantes e soube: era isso. Nem a letra ainda, só a base instrumental. Quando pedimos para a Ejae cantar o mais agudo que conseguisse, ela disse: 'Espero nunca ter que cantar essa música'".
A cantora confirmou: "Não é um registro confortável para mim. Consigo alcançar as notas, obviamente. Mas seria impossível cantar ao vivo. Não há espaço para respirar — 90% é como se fosse o Rumi cantando. Isso é totalmente irrealista."
Pouco mais de dois meses após sua estreia em 20 de junho de 2025, a animação se tornou o filme mais assistido de todos os tempos na Netflix. De acordo com a plataforma de streaming, Guerreiras do K-Pop já acumula mais de 325 milhões de visualizações pelo mundo. A versão brasileira da música de sucesso, intitulada "Brilho", já acumula quase cinco milhões de visualizações no YouTube.