'Um filho é a maior aventura que existe', diz diretor de 'Quarteto Fantástico' sobre filme da Marvel

Em entrevista ao 'Estadão', Matt Shakman detalha como o nascimento da criança mais poderosa do mundo muda a dinâmica de uma família disfuncional

23 jul 2025 - 20h11

Quando o Quarteto Fantástico foi criado em 1961 por Stan Lee e Jack Kirby, o mundo dos quadrinhos mudou. O grupo de super-heróis foi o primeiro grande acerto da Marvel enquanto editora, apostando em tramas pouco convencionais para a época. Pela primeira vez na história do gênero, as narrativas eram focadas na dinâmica familiar dos personagens e não somente em seus poderes.

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Quase 65 anos depois, o time formado por Reed Richards/Sr. Fantástico (Pedro Pascal), Sue Storm/Mulher Invisível (Vanessa Kirby), Ben Grimm/Coisa (Ebon Moss-Bachrach) e Johnny Storm/Tocha Humana (Joseph Quinn) chega ao Universo Cinematográfico da Marvel com o mesmo objetivo — transformar um blockbuster de super-heróis em uma história familiar.

Pedro Pascal é Reed Richards e Vanessa Kirby é Sue Storm em 'Quarteto Fantástico'
Pedro Pascal é Reed Richards e Vanessa Kirby é Sue Storm em 'Quarteto Fantástico'
Foto: Marvel Studios/Divulgação / Estadão

O longa Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, dirigido por Matt Shakman, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 24, e opta por não contar a história de origem do grupo. Em uma montagem rápida no início do filme, a Marvel introduz os conceitos básicos dos personagens.

"O público já conhece a história do grupo", contou o diretor Matt Shakman ao Estadão. "Queríamos dar todas as informações necessárias sobre quem eles são e como chegaram onde estão, mas não queríamos focar nisso. A ideia sempre foi mergulhar no meio do tempo deles como Quarteto Fantástico."

Na trama, a família de astronautas — Sue e Johnny são irmãos, Reed e Sue são casados e Ben e Reed são amigos de longa data — adquire poderes sobrenaturais após um acidente espacial. Ao retornaram para a Terra, passam a agir como protetores do planeta. Além de super-heróis, eles também atuam como líderes políticos e tecnológicos que buscam criar um mundo melhor.

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As coisas mudam quando Galactus (Ralph Ineson), uma entidade cósmica capaz de devorar o universo, ameaça a existência do planeta. O Quarteto Fantástico se prontifica a combater o inimigo, mas o que eles não esperavam era que o deus espacial se interessasse pelo filho recém-nascido de Reed e Sue, Franklin Richards. Agora, o grupo deve escolher entre proteger a criança ou o mundo que habitam.

"Queríamos contar uma história de como um filho muda uma família", afirmou Shakman. "O Quarteto Fantástico está acostumado a ir ao espaço e viver inúmeras aventuras fantásticas, mas não há nada tão fantástico quanto o nascimento de um filho." Segundo o diretor, boa parte da história do longa foi inspirada em sua experiência como pai. "Ter um filho é a maior aventura que existe", diz o cineasta.

"Há um elemento de domesticidade no filme, onde Reed e Sue estão escovando os dentes normalmente", afirmou a atriz Vanessa Kirby em uma entrevista coletiva que o Estadão participou. "E então, vamos para um épico intergaláctico. No final das contas, é uma história sobre dois pais e os medos que eles enfrentam quando um bebê está vindo."

O legado de Jack Kirby

Apesar de serem conhecidos como a Primeira Família da Marvel, o Quarteto Fantástico chegou tarde ao MCU. Ao longo das últimas décadas, três diferentes versões — 1994, 2005 e 2015 — do grupo chegaram ao cinema, mas não alcançaram grande sucesso. Nenhuma delas, entretanto, estava diretamente relacionada à Marvel.

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Os direitos cinematográficos do grupo de super-heróis só foram readquiridos pela empresa há alguns anos. Para diferenciar a nova versão, o produtor Kevin Feige e o diretor Matt Shakman optaram por adaptar o universo do Quarteto Fantástico dos gibis da década de 1960. Em especial, a arte do ilustrador e roteirista Jack Kirby.

Ebon Moss-Bachrach é Ben Grimm, Vanessa Kirby é Sue Storm, Pedro Pascal é Reed Richards e Joseph Quinn é Johnny Storm no novo filme do Quarteto Fantástico
Foto: Marvel Studios/Divulgação / Estadão

"Eu queria fazer um filme que honrasse o legado do Kirby", disse Shakman ao Estadão. "Queria honrar a estética criada por ele e adaptá-la para uma Nova York dos anos 1960.? Apesar de pertencer ao MCU, a história do longa ocorre em uma Terra paralela aos eventos dos demais filmes. Nela, os únicos super-heróis são o Quarteto Fantástico.

"Optamos por fazer uma Nova York retrofuturista. Nessa Terra, Reed Richards está mudando o mundo há mais de 20 anos. Ele é como uma mistura de Robert Oppenheimer, Steve Jobs e Albert Einstein", afirmou o diretor. Nos quadrinhos, Richards é o homem mais inteligente do universo e costuma criar inúmeras tecnologias dignas da mais avançada ficção científica.

Shakman, no entanto, optou por adaptar alguns pontos fantásticos bem característicos dos quadrinhos. O longa, então, conta com um robô senciente chamado H.E.R.B.I.E., um carro super tecnológico conhecido como Fantasticarro, além de veículos voadores e monotrilhos suspensos que parecem saídos de Os Jetsons.

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"Decidimos que o filme se passaria nos anos 1960 por conta dos quadrinhos originais. Eles são definidos por essa era. A década da corrida espacial e de Star Trek, onde as pessoas olhavam para as estrelas e sonhavam em conquistar o desconhecido", revelou Shakman. "Ao colocá-los nos anos 1960, não tivemos que nos desculpar pelo otimismo e o idealismo deles. Pudemos conhecê-los onde eles nasceram."

Os dilemas de Reed Richards

Se a dinâmica familiar do Quarteto Fantástico é importante para os seus personagens, não há ninguém que a exemplifique melhor do que Reed Richards. Interpretado por Pedro Pascal, o Sr. Fantástico é o líder do grupo e o homem mais inteligente do universo. Exatamente por conta disso, ele também é um dos mais perigosos.

O ator Pedro Pascal interpreta Reed Richards, o Sr. Fantástico, em 'Quarteto Fantástico'
Foto: Marvel Studios/Divulgação / Estadão

Nos quadrinhos, é relativamente comum que Reed ultrapasse limites éticos e tome ações questionáveis em nome da ciência ou de um bem maior. O seu freio moral, no entanto, costuma ser a própria família.

"Ele é um homem brilhante, capaz de criar soluções para tudo e entender como o universo funciona", afirmou Pedro Pascal na entrevista coletiva. "Porém, ele tem dificuldades de entender a complexidade das relações humanas, familiares e amorosas."

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Como pai de primeira viagem no longa, Richards se preocupa com todas as possibilidades de perigosos intergaláticos. "Ele sente que precisa proteger o filho do mundo, mas esquece de estar presente no dia a dia." Para Pascal, há uma certa ingenuidade social intrínseca ao personagem.

"Reed é alguém extremamente codependente. Sem a família, ele não sabe como funcionar. A identidade dele está ligada ao Quarteto Fantástico, à posição dele na família e à necessidade de protegê-la", finalizou o ator.

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