Daniel (Nicolas Prattes) é um advogado cético que, de um momento para o outro, começa a sonhar com um idoso que o aconselha a aceitar um caso difícil e descobre com o tempo que terá a chance de consertar um grande crime do passado. Essa é a premissa de O Advogado de Deus, novo filme de Wagner de Assis, diretor de Nosso Lar.
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O Advogado de Deus é inspirado no romance espírita homônino de Zíbia Gasparetto, psicografado pelo espírito Lucius, e gira em torno do tema da Justiça e de como as ações de cada pessoa tem consequências que, segundo a visão do espiritismo, não ficam impunes.
Wagner conheceu o best-seller de Zíbia na época do lançamento da obra no Brasil, no começo dos anos 2000, e começou a pensar que histórias relevantes para a sociedade queria contar após o sucesso de Nosso Lar. Ele tomou a decisão de adaptar dois livros da autora para o cinema.
"O filme fala sobre a Justiça divina dentro de relacionamentos tóxicos, dentro das família, do que é a vida após a morte e que, vida após vida, você tem chances de consertar erros. Tem muitos assuntos relevantes, por isso a gente optou por fazê-lo", diz o diretor em entrevista ao Terra.
Na história, Daniel (Nicolas Prattes) é o advogado contratado por Alberto (Danilo Mesquita), que quer corrigir uma injustiça do passado. Eles se envolvem em um triângulo amoroso com Lídia (Lorena Comparato) e, ao viver essa relação no século XXI, acabam por reviver situações de vidas passadas.
"Na verdade, quase todas as relações que surgem na nossa vida são reencontros. Então, o fato de você ver uma história que faz você olhar para sua própria vida dá um sentido muito importante para a nossa arte. Que é fazer com que as pessoas se autoconheçam, olhem para si mesmas, repensem suas escolhas, revejam se não estão passando por repetições na vida que precisa, de alguma maneira, mudar um pouquinho o padrão", diz Beth Goulart sobre o assunto.
A atriz interpreta Maria Júlia Camargo no filme, um papel central de uma mulher que busca corrigir seus erros e que vive um relacionamento abusivo com o marido. Beth ressalta que a personagem dela mostra para o público que as pessoas não precisam ficar presas a uma realidade e a um tipo de comportamento, sempre podem mudar e buscar o melhor.
"O filme fala muito das relações humanas e de relações tóxicas. Às vezes sem perceber, você repete padrões de comportamento que estão, de alguma forma, registrados na sua memória. Muita gente, infelizmente, vive padrões de comportamento assim na vida e precisa de ajuda terapêutica para poder fazer esse salto evolutivo. No caso da minha personagem, quem ajuda muito é a filha, dando a ela essa esse apoio, é, um espaço para ela poder falar sobre as próprias dores", diz Beth.
A filha de Maria Júlia no filme é Lídia, papel de Lorena Comparato, que já sonhava em poder trabalhar com Wagner de Assis e conseguiu um papel com o que se identifica. "Ela tenta reconstruir a relação do pai e da mãe. Nós, que somos jovens, temos muito essa ideia de que vamos conseguir mudar uma coisa para melhor. O filme também mostra como podemos desapegar dos que nossos antecedentes escolheram e podemos escolher por nós como vamos construir a vida."
Para construir a história do filme, Wagner de Assis se baseou no livro de Gasparetto e Lucius e nas doutrinas espíritas que estuda há anos e pontua que seu principal intuito foi mostrar como, de acordo com a crença que segue, não há impunidade.
"Essa história tem um aviso muito claro: ninguém fica impune. Todos vamos responder pelos nossos atos cedo ou tarde. Talvez esse seja um olhar confortante, mas, ao mesmo tempo, isso pode afetar a forma como você vê o mundo", conclui o diretor.