Por que 'Michael' excluiu acusações de abuso sexual contra o cantor?

Cinebiografia de Michael Jackson passou por refilmagens e removeu todas as menções às acusações de abuso sexual infantil contra o Rei do Pop

23 abr 2026 - 21h46

Michael, cinebiografia de Michael Jackson que já está nos cinemas, está dividindo a opinião de público e crítica. O longa-metragem que é estrelado por Jaafar Jackson e dirigido por Antoine Fuqua deixa de fora alguns dos momentos mais controversos da vida do astro, incluindo as acusações de pedofilia que eclodiram em 1993, e figuras como Janet Jackson, que não autorizou o uso de sua imagem, e Diana Ross, que precisou ser cortada por "questões legais", segundo a atriz Kat Graham.

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Em 'Leaving Neverland', Wade Robson (criança da foto) afirma ter sido abusado por Jackson na década de 1990
Em 'Leaving Neverland', Wade Robson (criança da foto) afirma ter sido abusado por Jackson na década de 1990
Foto: Divulgação/Prime Video / Estadão

Mesmo assim, estava nos planos iniciais de Fuqua e do roteirista John Logan que o filme abordasse o ocorrido. No entanto, todas as cenas que mencionavam as acusações de abuso sexual precisaram ser removidas do filme em virtude de um acordo extrajudicial assinado em 1993.

O que é o acordo?

Em 1993, Michael Jackson fez um acordo extrajudicial com a família de Jordan Chandler — adolescente que o acusava de abuso sexual — no valor de US$ 25 milhões (cerca de R$ 124 milhões na cotação atual). Entre os termos acordados, a família exigiu que a situação não pudesse ser mencionada ou dramatizada em qualquer tipo de cinebiografia sobre o astro.

A princípio, grande parte do terceiro ato do filme seria dedicada ao escândalo e seus desdobramentos, mas a cláusula que impede a dramatização da acusação só foi descoberta pelo espólio de MJ depois que as filmagens já haviam começado. Com isso, tudo precisou ser repensado e o filme sofreu uma série de atrasos. Todo o final precisou ser reestruturado.

Como seria o filme?

De acordo com a Variety, a ideia inicial da equipe era contar a história de como as denúncias de abuso infantil impactaram a vida do astro a partir dos anos 1990.

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A revista alega que o filme começaria no ano de 1993, em um uso da técnica conhecida como In Media Res; Michael estaria se encarando no espelho enquanto investigadores chegavam ao rancho Neverland para buscar evidências da acusação. Depois, haveria um flashback para contar a história do músico desde o início.

Agora, o filme se encerra no auge, com o astro na turnê de Bad. Em sua crítica para o Estadão, o jornalista Sérgio Martins afirma que Michael é "um deleite musical, mas uma biografia desonesta".

Em entrevista recente ao The Hollywood Reporter, o cineasta Dan Reed, diretor do documentário Deixando Neverland, criticou o retrato feito no filme.

"Como é possível contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem jamais mencionar o fato de que ele foi seriamente acusado de abuso infantil?", questionou. Reed também ironizou declarações recentes de Fuqua, afirmando que "todos os envolvidos estão apenas ganhando dinheiro fácil".

Em 2005, Michael foi absolvido das acusações de abuso sexual infantil. Novas acusações, no entanto, foram veiculadas em 2019 no documentário Deixando Neverland. Michael Jackson morreu em 2009, aos 50 anos, após uma overdose de medicamentos.

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