Considerada uma das grandes damas da era de ouro do cinema francês, a atriz Micheline Presle faleceu aos 101 anos em um lar de idosos próximo a Paris. Com mais de oito décadas de carreira e clássicos como Falbalas e Le Diable au corps no currículo, ela foi homenageada com o César de Honra em 2004. Além do sucesso internacional, Presle manteve uma forte parceria artística com a filha, a cineasta Tonie Marshall, primeira mulher a vencer o prêmio César de Melhor Direção.
Quando Micheline Presle subiu ao palco do Théâtre du Châtelet para receber o César de Honra pelo conjunto da obra, em 2004, ela olhou para a plateia com aquele brilho no olhar que o tempo nunca conseguiu apagar e resumiu mais de oito décadas diante das câmeras com uma frase que entrou para a memória afetiva da França:
"O cinema é a história mais bonita da minha vida."
Não havia artifício ou pose de diva naquela declaração. Quem acompanhou seus passos desde as telas em preto e branco dos anos 1940 sabia que atuar nunca foi apenas ofício; era o seu modo de respirar, de amar e de dialogar com o mundo.
Mas se a carreira de Micheline pertenceu à história do cinema internacional, a sua reta final pertenceu à ternura: um refúgio acolhedor entre castelos antigos, memórias de família e uma rotina onde a velhice jamais significou esquecimento.
O orgulho de ser mãe e a dor mais profunda de uma vida
Entre clássicos monumentais como Falbalas (1945), de Jacques Becker, e o escândalo poético de Le Diable au corps (1947), de Claude Autant-Lara, ao lado de Gérard Philipe, Micheline construiu uma biografia lendária. No entanto, em entrevistas já na maturidade, ela sempre fazia questão de voltar os olhos para outro papel: o de cúmplice de sua única filha, a cineasta Tonie Marshall.
A conexão entre as duas transcendia o laço de sangue e virou cinema da mais alta qualidade. Tonie fez história ao se tornar a primeira mulher a vencer o César de Melhor Direção por Vénus Beauté (Institut) (1999), obra em ...
Matérias relacionadas