Dirigido por Alex Gibney, o documentário "Musk" teve seu primeiro teaser revelado. Com quase 4 horas de duração, o filme investiga a controversa trajetória do bilionário, abordando sua guinada política à extrema-direita. Sem a participação de Elon Musk, a produção recriou sua voz via IA e traz uma entrevista exclusiva com a ex-namorada Ashley St. Clair, que recusou US$ 40 milhões para falar. Exibido no Festival de Veneza, o longa estreia nos cinemas dos EUA em 16 de outubro e irá para a HBO.
A distribuidora Bleecker Street divulgou, nesta segunda, 7, um teaser do aguardado documentário Musk, dirigido pelo cineasta Alex Gibney (Steve Jobs: The Man in the Machine). O filme inclui uma versão de Elon Musk criada por IA e uma entrevista exclusiva com sua ex-namorada Ashley St. Clair, que rejeitou um acordo de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 205 milhões, na cotação atual do dólar) para participar.
O trailer de 48 segundos mostra imagens dos foguetes do bilionário sendo lançados ao espaço e, em seguida, caindo, enquanto pessoas o descrevem em termos, em sua maioria, pouco lisonjeiros. "Ele é caótico, imprevisível, caprichoso", diz uma voz. "Ele é manifestamente cruel e egoísta", acrescenta outra. "Em um romance de ficção científica, ele não seria um herói", conclui uma terceira. Alguém o descreve como "um homem que perdeu a cabeça".
A sinopse descreve o filme de 3 horas e 52 minutos como "um olhar incisivo por trás da lenda de Elon Musk, o homem mais rico e mais descontrolado do planeta". Confira detalhes sobre a produção a seguir:
Uso de IA
Elon Musk não esteve diretamente envolvido com a produção do documentário. Segundo Gibney, o bilionário foi procurado, mas recusou o convite para ser entrevistado.
Para suprir a ausência de seu protagonista, o documentário aposta em uma estratégia polêmica: criar uma versão do empresário com inteligência artificial para reproduzir falas que o empresário emitiu publicamente ao longo dos anos.
De acordo com o diretor, a decisão foi tomada após discussões com os advogados. "Eles nos deram sinal verde para seguir em frente", afirmou (via G1).
Entrevista exclusiva com Ashley St. Clair
Outro destaque do longa é uma entrevista exclusiva com a ex-namorada de Musk, Ashley St. Clair. Em coletiva de imprensa no Festival de Veneza, ela afirmou que rejeitou um acordo de confidencialidade de US$ 40 milhões para conceder a entrevista, após dar à luz o 13º filho de Musk no ano passado.
St. Clair ganhou destaque nos EUA como comentarista política de direita. Atualmente, ela expressa arrependimento por ter dado voz a essas crenças. "Envolvi-me na política republicana aos 18 anos, depois de conhecer Charlie Kirk, e havia um clima de ignorância", disse St. Clair, que agora tem 28 anos. "Mas essa ignorância não justifica qualquer participação minha nisso. Espero que o risco que estou correndo agora, ao me manifestar e tentar lutar contra isso, ajude pelo menos um pouco."
Segundo Clair, ela tomou a decisão de participar do documentário para "dar o exemplo aos meus filhos de que nunca devemos nos acomodar com a ideia de que estamos falando a verdade".
Direção de Alex Gibney
Gibney, documentarista vencedor do Oscar, já investigou corporações corruptas (Enron: Os Mais Espertos da Sala), acobertamentos de abusos sexuais na Igreja Católica (Mea Maxima Culpa: Silêncio na Casa de Deus), a Cientologia (Going Clear) a interferência russa na eleição presidencial americana de 2016 (Agentes do Caos) e muito mais.
O diretor trabalha no filme de Musk há vários anos. Em 2024, ele explicou ao Deadline que estava interessado no bilionário porque ele é "uma figura extraordinária". "As pessoas têm suas opiniões sobre ele, mas acho que o desafio… é trazer algo que as pessoas não esperam encontrar, algo no material que está escondido, algumas coisas que estão bem à vista, que é o que eu diria que estamos encontrando e que acho que vai surpreender as pessoas".
E não se trata apenas de 'Elon aprova' ou 'Elon desaprova'. Não estou realmente interessado nesse tipo de fórmula, seja ele um babaca ou não. Mas sim, o que realmente pensamos sobre a maneira como ele age?
Recentemente, Gibney afirmou à AP nenhum de seus filmes anteriores se compara à história de Musk, em termos da abrangência do poder de uma pessoa. "O interessante sobre Musk é que não se trata tanto de algo novo, mas sim de um vinho velho em uma garrafa nova", disse.
Ele explicou que o enfoque da obra mudou ao longo da produção. O projeto inicial deveria ser muito mais curto e focado na trajetória empresarial do bilionário, mas, à medida que Musk se envolveu profundamente com a política dos EUA, aliando-se a Donald Trump, e passou a apoiar causas de extrema-direita globalmente, essa esfera precisou ganhar destaque.
E Musk, assim como alguns personagens que acompanhei no passado, sofre do que algumas pessoas chamam de corrupção por uma causa nobre. Ou seja, você começa a acreditar em uma causa. E no caso de Musk, era nos tornar multiplanetários e nos conduzir a um mundo ambientalmente mais sustentável. E como você está alinhado com essas causas importantes, valiosas e boas, qualquer coisa que você faça a serviço delas é aceitável. E, no fim das contas, isso leva à corrupção.
Quando estreia Musk?
Musk estreou no Festival de Cinema de Veneza nesta terça, 8. A Bleecker Street lançará o filme nos cinemas dos Estados Unidos em 16 de outubro, mas ainda não há data de lançamento confirmada no Brasil. O documentário deve chegar à HBO ainda este ano. Assista o teaser:
https://www.youtube.com/watch?v=oYwso9mF-fA