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Filha de Kubrick comenta teoria conspiratória que liga 'De Olhos Bem Fechados' a Epstein

Vivian Kubrick se pronunciou no X, antigo Twitter, sobre supostos 20 minutos perdidos do último filme do pai

8 set 2026 - 12h49
Resumo
Vivian Kubrick negou a existência de provas sobre os supostos 20 minutos cortados de "De Olhos Bem Fechados", refutando teorias conspiratórias que associam o filme a Jeffrey Epstein e a redes de exploração sexual. A compositora e filha do cineasta explicou que o pai costumava incinerar sobras de filmagem para evitar alterações de estúdios e destacou que, embora não possa descartar categoricamente a gravação do material, nunca encontrou nenhum indício que comprove a existência das cenas perdidas.

Uma das teorias da conspiração envolvendo De Olhos Bem Fechados, último filme de Stanley Kubrick, voltou a ser discutida após Vivian Kubrick, filha do cineasta, se pronunciar sobre os supostos 20 minutos de cenas que teriam sido retirados da versão final da obra. O rumor, que circula há anos, chegou a relacionar o material inexistente — até onde se sabe — a Jeffrey Epstein e a supostos crimes envolvendo pessoas poderosas.

Filha de Kubrick comenta teoria conspiratória que liga 'De Olhos Bem Fechados' a Epstein (Divulgação)
Filha de Kubrick comenta teoria conspiratória que liga 'De Olhos Bem Fechados' a Epstein (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

Vivian, compositora e colaboradora do pai em diversos filmes, incluindo De Olhos Bem Fechados, publicou uma longa declaração no X, antigo Twitter, para explicar o que sabe sobre a história. Segundo ela, nunca teve conhecimento dos alegados 20 minutos durante a produção e também não encontrou nenhuma evidência posterior que comprovasse a existência do material.

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"É uma história que circula há muitos anos, então deixe-me contar o que eu realmente sei e o que não sei", escreveu.

A teoria ganhou força principalmente por causa da trama de De Olhos Bem Fechados. Lançado em 1999, o longa acompanha Bill Harford, médico interpretado por Tom Cruise, que fica abalado depois que sua esposa, Alice, vivida por Nicole Kidman, revela ter fantasiado sobre uma relação extraconjugal. A partir daí, ele embarca em uma jornada noturna que o leva a uma misteriosa sociedade secreta, frequentada por pessoas ricas e influentes, e a uma festa marcada por rituais e orgias.

Com o tempo, algumas teorias passaram a afirmar que Kubrick teria filmado aproximadamente 20 minutos adicionais para o longa. Esse suposto material seria ainda mais sombrio e revelaria uma conexão com redes de exploração sexual envolvendo figuras poderosas. Após o escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, a teoria passou a associar o conteúdo perdido ao criminoso.

Não existe, porém, evidência pública que comprove essa ligação entre o filme e Epstein ou que demonstre que os supostos 20 minutos tenham sido retirados por esse motivo.

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O que Vivian Kubrick sabe sobre as cenas?

Segundo Vivian, seu pai tinha um procedimento específico para impedir que estúdios modificassem seus filmes depois de concluídos. Kubrick costumava destruir os outtakes, ou seja, cenas que haviam sido filmadas, mas não utilizadas na montagem final.

De acordo com ela, esse material era incinerado justamente para evitar que o estúdio pudesse posteriormente remontar suas obras ou criar versões alternativas sem a autorização do diretor.

A filha do cineasta afirmou que não sabia da existência de qualquer sequência adicional de 20 minutos durante as filmagens e que nunca recebeu, viu ou encontrou posteriormente qualquer material que comprovasse a história.

Ela também destacou que a ausência dessas imagens não prova necessariamente que elas jamais tenham existido. Ao mesmo tempo, segundo Vivian, não há evidências concretas de que tenham sido filmadas ou preservadas.

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"Eu nunca ouvi falar de 20 minutos perdidos na época, nunca vi ou me mostraram qualquer evidência posteriormente de que tal trecho existisse e não conheço nenhum material sobrevivente que estabeleça que ele existiu", afirmou.

Vivian também questionou relatos de pessoas que dizem ter informações sobre as supostas cenas. Para ela, histórias contadas posteriormente não podem ser tratadas automaticamente como provas, especialmente quando podem envolver exageros ou tentativas de tornar determinadas participações mais importantes do que realmente foram.

Kubrick morreu seis dias após concluir o filme

A cronologia da produção contribuiu para alimentar o mistério. Kubrick entregou a versão final de De Olhos Bem Fechados em 1º de março de 1999. Seis dias depois, morreu aos 70 anos.

O filme chegou aos cinemas naquele mesmo ano e recebeu uma recepção positiva da crítica e do público. A produção também se tornou a maior bilheteria da carreira do diretor.

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A morte de Kubrick pouco depois da conclusão do longa, combinada à atmosfera misteriosa da história e às longas filmagens, ajudou a criar um terreno fértil para especulações sobre possíveis alterações feitas após a finalização.

Ainda assim, os relatos sobre os supostos 20 minutos são contraditórios. Nigel Galt, editor que trabalhou no filme, já afirmou que a versão final exibida nos cinemas era a montagem concluída por Kubrick. Já o roteirista Roger Avary declarou em 2024, durante participação no podcast de Joe Rogan, ter ouvido histórias sobre cenas que teriam sido retiradas.

Nenhum desses relatos, contudo, comprova que existia uma versão secreta de 20 minutos ligada a Epstein.

Teoria continua sem comprovação

Jeffrey Epstein foi condenado em 2008 por solicitar sexo de uma menor de idade e, em 2019, foi acusado federalmente de tráfico sexual. Ele morreu na prisão em agosto daquele ano, em um caso posteriormente cercado por diversas teorias conspiratórias.

A tentativa de conectar o criminoso a De Olhos Bem Fechados surgiu principalmente de interpretações sobre a sociedade secreta apresentada no filme. A obra, entretanto, foi baseada no romance Breve Romance de Sonho, de Arthur Schnitzler, publicado em 1926.

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O próprio fato de Vivian Kubrick ter colaborado de perto com o pai e ter assumido, após sua morte, responsabilidades relacionadas à preservação de sua obra torna seu depoimento especialmente relevante para a discussão. Ainda assim, ela não afirma categoricamente que nenhum material adicional tenha sido filmado: seu ponto é que não conhece nenhuma evidência de que os alegados 20 minutos tenham existido ou sobrevivido.

"Se 20 minutos realmente tivessem sido removidos, tenho certeza de que eventualmente teria descoberto", declarou Vivian, ressaltando o quanto passou a se envolver na proteção do trabalho do pai após sua morte.

Fonte: NME

Rolling Stone Brasil
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