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Christian Malheiros sobre final de 'Nando Entre Dois Mundos': 'Se é bom ou não, o público decide'

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, ator fala sobre o retorno ao personagem, as consequências de suas escolhas e a decisão que pode surpreender os fãs no filme que chegou ao catálogo da Netflix

12 ago 2026 - 08h46

Depois de cinco temporadas acompanhando as trajetórias de Nando, Rita e Doni, vividos respectivamente por Christian Malheiros (Sócrates), Bruna Mascarenhas (Maníaco do Parque) e Jottapê (O Menino da Porteira), Sintonia ganha a conclusão de uma de suas histórias com Nando Entre Dois Mundos: Um Filme Sintonia. O longa, já disponível no catálogo da Netflix, retoma um dos personagens centrais da série e coloca Nando diante de um conflito diferente daqueles que marcaram sua trajetória até aqui: a ameaça à própria família.

Christian Malheiros sobre final de 'Nando Entre Dois Mundos' 'Se é bom ou não, o público decide' (Divulgação/Netflix)
Christian Malheiros sobre final de 'Nando Entre Dois Mundos' 'Se é bom ou não, o público decide' (Divulgação/Netflix)
Foto: Rolling Stone Brasil

Interpretado por Christian Malheiros, Nando aparece no filme cinco anos após conquistar uma posição de poder no submundo do crime. Agora vivendo na Sérvia, ele tenta manter distância do Brasil e da vida que construiu ao lado de Scheyla (Júlia Yamaguchi, Uma História de Amor e Fúria). A aparente estabilidade, porém, desmorona quando Bruninha (Duda Pimenta, As Aventuras de Poliana: O Filme), sua filha adolescente, desaparece sem deixar rastros. O sumiço o obriga a voltar ao país e, consequentemente, a encarar novamente o passado que tentou deixar para trás.

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A Rolling Stone Brasil conversou com Christian Malheiros sobre o reencontro com Nando, a transformação do personagem ao longo dos anos, os novos conflitos apresentados pelo filme e o desafio de interpretar alguém que precisa conciliar o homem que se tornou com o pai e marido que tenta ser. Confira o papo a seguir:

O reencontro com Nando

Desde a estreia de Sintonia, o público acompanhou a ascensão de Nando dentro do universo do crime, as tentativas de equilibrar diferentes aspectos da vida pessoal e as consequências das escolhas feitas ao longo do caminho. Agora, em Nando Entre Dois Mundos: Um Filme Sintonia, o personagem retorna em um momento decisivo: cinco anos após os acontecimentos da série, ele é obrigado a revisitar o passado e encarar questões que ficaram sem resposta.

Para Christian Malheiros, esse reencontro também carrega um significado especial. Afinal, não se trata apenas de interpretar novamente um personagem conhecido, mas de dar continuidade a alguém que amadureceu, acumulou marcas e chega ao filme diante da possibilidade de uma decisão definitiva.

O desafio, segundo o ator, esteve justamente em compreender as mudanças vividas por Nando durante esse intervalo de tempo e traduzir na tela um homem diferente daquele apresentado nas temporadas anteriores. "Pra mim é sempre um desafio. Porque o personagem é o mesmo, mas a situação não. E a maturidade dele é outra também, né? A gente tem um hiato aí de cinco anos", afirma Malheiros.

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O ator explica que o filme encontra Nando em um momento de reflexão e desgaste, diante da necessidade de escolher que caminho deseja seguir. Essa transformação, segundo ele, também dialoga com o próprio amadurecimento vivido fora das telas durante os anos em que interpretou o personagem.

"Ele tá num lugar de ter que fazer uma escolha, ter que fazer uma decisão. Então, voltar é sempre difícil, mas é sempre maravilhoso, porque eu também amadureci durante esse tempo. Então, isso faz com que a gente consiga construir um personagem que tenha toda essa história dessas cinco temporadas do Sintonia e que daqui pra frente ele tá começando a entender que a vida cansou e que a vida levou ele pra um lugar que ele precisa agora entender qual dos lados ele vai querer ficar."

Para Malheiros, o encerramento dessa jornada também permite reforçar uma das mensagens centrais presentes na trajetória do personagem desde o início da série: as consequências irreversíveis das escolhas ligadas ao crime e os impactos que elas provocam na vida pessoal e familiar.

"E trazer esse lugar também como mensagem é muito interessante. De que o crime não compensa. Você pode até sobreviver a ele, mas ele te tira muita coisa importante, muita coisa que é preciosa pra você."

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A surpresa de interpretar um pai

Se o retorno de Nando já representava um novo desafio para Christian Malheiros, Nando Entre Dois Mundos acrescentou uma camada inédita à experiência do ator: a relação entre o personagem e Bruninha, sua filha adolescente. Aos 15 anos, a personagem interpretada por Duda Pimenta coloca Nando diante de uma dinâmica familiar que não havia sido explorada dessa maneira em Sintonia e que ganha importância central na trama a partir de seu desaparecimento.

Mais do que lidar com o risco e as consequências de suas escolhas, Nando precisa assumir uma posição de pai em uma fase particularmente delicada. A adolescência de Bruninha exige dele uma postura diferente, marcada por tentativas de compreender uma filha que cresceu enquanto ele próprio estava envolvido em uma trajetória cada vez mais distante da vida familiar.

Para Christian, essa foi justamente uma das características que mais chamaram sua atenção quando teve o primeiro contato com o roteiro. A situação também levou o ator a pensar sobre a própria experiência como filho e sobre a dificuldade de compreender o comportamento de alguém nessa idade. Sem ter vivido a paternidade, Christian precisou imaginar como seria ocupar esse lugar e construir uma relação com uma adolescente, especialmente em um momento de crise.

"Eu sou novo e, se eu fosse pai, minha filha não teria 15 anos. Mas como é difícil lidar com adolescente, né? Fico imaginando se eu era assim e tudo. Eu pedi tanto perdão pra minha mãe", brincou o ator.

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Um desfecho à altura de Nando

Para Christian Malheiros, a questão principal não era determinar se Nando "merecia" determinado destino, mas encontrar uma conclusão coerente com tudo aquilo que o personagem viveu. "Eu acho que para além de merecer ou não, eu acho que foi um desfecho digno. Eu acho que esse personagem precisava sofrer as consequências."

Ao mesmo tempo, Christian considera que o final precisava fugir de dois extremos. "Ele precisava fazer uma escolha. Não dá pra ser romântico. Mas também a gente não poderia entender que ele tivesse um destino muito trágico. Então, dentro da vida, o que é possível fazer com que esse personagem entenda o que ele fez? Ele tenha consciência do que ele fez? Ele tenha consciência da vida que ele teve? E que ele saiba que ele tem que fazer uma escolha? Então, a gente se baseou nisso."

A avaliação sobre se Nando recebeu exatamente o destino que merecia, no entanto, Christian prefere deixar para quem acompanhou sua história. Para ele, o papel do filme é apresentar as consequências e permitir que o público tire suas próprias conclusões sobre o personagem.

"Se é bom ou não, se mereceu ou não, eu deixo para o público. Eu acho que o público tem muito a acrescentar nessa discussão. Mas que eu acho que foi digno, foi digno."

Depois de tantos anos interpretando Nando, o ator também revela que se sente satisfeito com a maneira como a história foi encerrada: "Eu me sinto muito contemplado com esse final. É um final muito bonito mesmo."

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Nando como espelho

Mesmo sendo um personagem envolvido com o crime e responsável por decisões que provocam consequências graves, Nando nunca foi construído apenas a partir de seus erros. A série também mostrou suas fragilidades, seus afetos, seus medos e as contradições de alguém que, apesar das escolhas que fez, continua tentando encontrar algum controle sobre a própria vida.

Ao longo dos anos, Christian percebeu que a identificação dos espectadores ia além do próprio personagem: muitas pessoas passaram a enxergar nele pessoas que conheciam na vida real. Ao ser questionado sobre essa relação, o ator acreditou essa dimensão humana ajuda a entender por que o personagem despertou empatia mesmo quando suas atitudes eram difíceis de defender:

"É muito difícil de explicar. Eu tenho as minhas suposições, eu tenho as coisas que eu fico imaginando também. Porque é um personagem que traz muitos dilemas. Você começa a ver que ele tem algumas coisas que ele não se sente bem, que ele tem um calcanhar de Aquiles, que ele chora, que ele se sente mal, ele se sente abandonado, ele se sente pressionado."

A experiência de Nando também se aproxima de uma realidade que, segundo o ator, não é distante para muitas famílias. "E eu acho que nesse cotidiano, principalmente do Brasil e o cotidiano periférico, não há quem não tenha um tio, um primo que entrou pro crime, um parceiro, uma parceira, alguém que tivesse tido essa experiência, um amigo... Eu mesmo, né? Alguém ou próximo, ou amigo do amigo, que acabou entrando pra esse lugar."

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Essa percepção ganhou ainda mais força para Christian a partir dos relatos que ouviu nas ruas depois que Sintonia chegou ao público. Segundo ele, espectadores passaram a relacionar situações vividas por Nando com experiências de familiares e amigos que haviam enfrentado caminhos semelhantes. "Eu acho que o Nando é um raio-X. Essa lupa bem aproximada do que essas pessoas passaram. Muitas vezes eu ouvia na rua as pessoas falando: 'Nossa, agora eu entendi porque meu tio demorou pra sair'."

Mais do que justificar as escolhas de Nando, essa identificação abriria espaço para compreender sua humanidade. "Então basicamente isso é um espelho de humanidade mesmo. Acho que o Nando foi esse lugar de referência onde as pessoas olham e falam: 'Já sei o que aquela pessoa tava passando'."

Para Christian, esse processo de reconhecimento pode ter produzido uma consequência ainda mais importante: estimular um olhar mais compassivo para quem enfrenta situações semelhantes. "A partir das pessoas entenderem o que é o íntimo de um personagem complexo como o Nando, as pessoas começaram a olhar com mais compaixão pras pessoas que estavam próximas a elas e saber: 'Olha, eu tô aqui com você, eu sei que não é fácil pra você, eu sei que você tem vontade de sair e que não é assim tão fácil, mas eu tô aqui pra você, eu posso te ajudar de alguma forma'."

O que Christian leva de Nando

Interpretar o mesmo personagem durante tantos anos inevitavelmente cria uma relação que ultrapassa o trabalho de construção de uma atuação. São anos em que o ator precisou compreender as mudanças do personagem, acompanhar suas escolhas e encontrar novas maneiras de expressar suas contradições.

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Ao olhar para trás, Christian não trata essa experiência como um processo em que simplesmente ensinou algo a Nando ou aprendeu algo com ele. "Na realidade, quando a gente tá numa criação ele é eu e eu sou ele."

A experiência também o colocou diante da necessidade de trabalhar aspectos fundamentais para Nando dentro da narrativa, mas que Christian percebe ter exercitado pessoalmente ao longo da construção do personagem. "Me exigiu uma inteligência rápida. Eu aprendi a resolver as coisas, a entender, a fazer análise, a perceber o ambiente, a ter raciocínio rápido."

E, entre todas as características que Christian reconhece ter emprestado a Nando, existe uma que ele identifica com bastante humor como sendo particularmente sua: "Ele pegou meu carisma, né? Porque isso aí é só eu mesmo. Mas foi uma troca justa, foi uma troca bem justa. Aprendi muita coisa, emprestei muita coisa pra ele também."

A escolha de Nando e a nova camada do personagem

O desaparecimento da filha é o ponto de partida para que Nando retorne ao Brasil e se veja diante de uma realidade que não pode resolver simplesmente com as ferramentas que aprendeu a utilizar ao longo da vida. Bruninha não é apenas alguém que precisa ser protegida. A adolescente também confronta o pai, questiona suas escolhas e funciona como uma espécie de contraponto a tudo aquilo que ele construiu.

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Para Christian Malheiros, é justamente essa nova dinâmica que pode causar uma das maiores surpresas para quem acompanha o personagem desde o início. "Acho que o que vai surpreender bastante é a escolha do Nando."

Sem revelar qual é essa escolha, o ator destaca que o impacto estará não apenas na decisão em si, mas também no caminho percorrido pelo personagem até chegar a ela. Nesse processo, Bruninha ocupa um lugar fundamental. "A filha dele é essa adolescente que tira ele do eixo. Que confronta ele e ele não pode fazer nada. É a própria filha."

A relação entre os dois também ganha uma dimensão simbólica. Ao enxergar a própria filha, Nando acaba sendo colocado diante de características e escolhas que dizem respeito à sua própria história. "É o espelho dele, na realidade."

É essa combinação entre a escolha que Nando precisará fazer e a presença de uma filha que não aceita simplesmente seguir suas regras que, segundo Christian, apresenta ao público uma versão diferente do personagem. "Então acho que essas novidades vão trazer uma outra camada pra esse Nando que as pessoas ainda não conhecem."

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https://youtu.be/ms4BgO48KCY?si=hoLx9WtVIPn2Ua9L

Rolling Stone Brasil
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