Aos 80 anos, Sylvester Stallone reavaliou o legado bélico de Rambo e admitiu que sua postura pró-guerra no passado era fruto de ingenuidade, comparando o personagem a um desenho animado. Em entrevista ao The New York Times, o ator afirmou que hoje considera toda guerra inútil, criticando o setor militar e os fabricantes que lucram enquanto jovens soldados são triturados física e psicologicamente em conflitos globais, reflexão que contrasta diretamente com o militarismo que encarnou nos cinemas.
Após quatro anos e meio de guerra na Ucrânia, um dos resumos mais inesperados do conflito (e do restante ao redor do mundo) acaba de ser oferecido pelo homem que, durante décadas, encarnou no cinema exatamente o contrário. Enquanto Washington volta a tentar colocar Moscou e Kiev em torno de uma negociação, o ator que transformou Rambo em um dos grandes símbolos da força militar estadunidense revisitou aquela etapa com uma frase difícil de separar das imagens que chegam hoje da Ucrânia. Aos 80 anos, Stallone passou de interpretar o soldado capaz de vencer praticamente qualquer guerra a se perguntar o que resta quando todas terminam.
Em 1985, quando Rambo se tornou um ícone cultural, Stallone defendia que, se os EUA tinham grande poder e ameaçavam utilizá-lo, dizia ele, chegava um momento em que deveriam fazê-lo para que ninguém pensasse que estavam blefando.
Em uma longa entrevista ao jornal The New York Times, Stallone é questionado se sua maneira de pensar na época tinha muito a ver com Rambo. "Naquela época eu era realmente gung-ho", reconhece ele. Quatro décadas depois, ele atribui essa mentalidade, em grande medida, à sua própria ingenuidade.
A mudança de visão
A frase que resume a mudança vem imediatamente depois: "Agora percebo que toda guerra é inútil". Stallone descreve a guerra como uma máquina na qual departamentos militares e fabricantes ganham enormes quantias de dinheiro enquanto jovens soldados entram em uma "máquina de triturar", perdem membros e retornam a um ...
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