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"A Queda 2: No Limite" Troca A Torre Pela Montanha, Mas Vale A Pena Voltar Às Alturas?

Continuação recupera a tensão e o medo de altura que marcaram o primeiro filme, mas encontra dificuldades para justificar uma nova aventura de sobrevivência.

24 set 2026 - 15h19
Resumo
Dirigido pelos irmãos Spierig, "A Queda 2: No Limite" troca a torre original por uma montanha na Tailândia, onde duas jovens enfrentam perigos a milhares de metros de altura. Embora mantenha o suspense físico, a boa sonorização e atuações competentes de Harriet Slater e Arsema Thomas, o longa sofre com efeitos visuais artificiais, roteiro previsível e atitudes questionáveis das protagonistas, resultando em uma sequência repetitiva e desnecessária em relação ao sucesso do filme anterior.

Quatro anos depois de "A Queda", a história ganha uma continuação com "A Queda 2: No Limite", dirigido pelos irmãos Michael Spierig e Peter Spierig. Com 98 minutos de duração, o longa abandona a enorme torre que marcou o primeiro filme e leva o perigo para uma montanha na Tailândia. A mudança de cenário existe, mas a ideia continua praticamente a mesma: colocar duas personagens a uma altura absurda, sem uma saída fácil e com qualquer movimento podendo terminar em tragédia.

A fórmula ainda funciona para provocar nervosismo. Existem cenas que exploram muito bem o medo de altura e conseguem criar aquela aflição de imaginar o que aconteceria caso algo desse errado. Só que a sensação de já ter visto tudo aquilo antes aparece rapidamente. O primeiro "A Queda" funcionava justamente pela simplicidade de sua proposta e conseguiu ser um bom filme dentro daquilo que pretendia. Por isso, fica a pergunta durante boa parte da continuação: essa história realmente precisava de um segundo filme?

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Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

Uma nova subida e praticamente o mesmo perigo

Desta vez, a história acompanha Jax Hunter, interpretada por Harriet Slater, que ainda tenta lidar com o luto pela morte da irmã, Shiloh, vivida por Virginia Gardner. Ela acaba se aproximando de Luce, personagem de Arsema Thomas e amiga de Shiloh, e aceita participar de uma perigosa travessia pelas estruturas instaladas no Monte Kwan, na Tailândia.

Como já era de se esperar em um filme dessa franquia, a situação rapidamente dá errado. Um deslizamento destrói parte do caminho e deixa as duas presas a milhares de metros de altura. A partir daí, começa novamente a luta pela sobrevivência, com cada tentativa de escapar criando um novo problema.

É uma premissa que ainda consegue gerar tensão, principalmente para quem possui medo de altura. O problema está na facilidade de prever boa parte do que acontecerá. Quem assistiu ao primeiro longa já conhece muito bem a dinâmica e consegue imaginar os obstáculos que serão colocados no caminho das personagens.

As atuações funcionam, mas falta conexão com as personagens

Harriet Slater entrega uma boa atuação como Jax, principalmente nos momentos ligados ao trauma pela perda da irmã e nas situações em que o desespero começa a tomar conta. Arsema Thomas também funciona bem como Luce e consegue criar uma boa dinâmica com sua companheira de aventura.

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O problema está na construção das próprias personagens. Algumas decisões tomadas por elas são responsáveis por colocá-las em situações que poderiam ter sido evitadas, e isso acaba dificultando a conexão com o público. Em determinados momentos, em vez de apenas torcer para que consigam escapar, fica aquela sensação de questionar por que resolveram fazer aquilo.

O roteiro de Jonathan Frank e Scott Mann ainda guarda algumas revelações para a reta final, tentando acrescentar algo diferente à fórmula. Nem todas funcionam. Algumas parecem colocadas ali principalmente para criar uma surpresa que a história até então não tinha conseguido entregar, sem realmente acrescentar muito ao que já estava sendo contado.

Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

A montanha rende belas imagens, mas os efeitos oscilam

Visualmente, "A Queda 2: No Limite" possui bons momentos. A fotografia de Andrew Strahorn aproveita bastante os planos abertos para mostrar o tamanho da montanha e a distância que separa as personagens de qualquer possibilidade de ajuda. As paisagens da Tailândia também são bonitas e pelo menos conseguem dar uma identidade diferente para a continuação.

A sonorização ajuda bastante nas sequências de tensão. Rangidos, impactos, pedras caindo e momentos de silêncio aumentam a sensação de perigo, enquanto a trilha de Tim Despic recupera parte da atmosfera sonora do primeiro longa.

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Já os efeitos visuais deixam a desejar em algumas cenas. Sequências envolvendo pedras, terremotos e planos mais abertos tornam perceptível o uso de tela verde, diminuindo a impressão de que aquelas personagens realmente estão correndo perigo. É um problema ainda mais evidente quando comparado ao primeiro filme, que conseguia vender melhor a ideia de suas protagonistas estarem presas a uma altura absurda.

Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

Uma continuação que não precisava existir

"A Queda 2: No Limite" ainda consegue provocar tensão e possui qualidades na fotografia, na sonorização e nas atuações. Para quem tem medo de altura, algumas cenas certamente vão causar nervosismo, e a mudança para a montanha oferece imagens bonitas durante a aventura.

Vídeo: Reprodução/Youtube(@parisfilmes)

Só que o primeiro filme já havia aproveitado muito bem essa ideia. Aqui, a troca de cenário não impede a sensação de repetição, enquanto o roteiro previsível e algumas escolhas das personagens diminuem o envolvimento com a história. Até as novidades apresentadas na reta final têm dificuldade para justificar uma nova passagem por essa fórmula.

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Para quem gostou muito de "A Queda" e quer outra aventura de sobrevivência nas alturas, a continuação ainda pode funcionar. O primeiro, porém, continua sendo uma experiência melhor. "A Queda 2: No Limite" consegue causar tensão, mas termina reforçando uma impressão que acompanha boa parte dos seus 98 minutos: não havia necessidade de continuar uma história que já tinha cumprido tão bem sua função.

Publicado originalmente na Woo! Magazine.

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