A obrigatoriedade de retirada de ingressos para os ensaios técnicos na Sapucaí gerou confusão e críticas, levando a Liesa a adotar um modelo híbrido para controle de acesso, mantendo a gratuidade e segurança.
Uma novidade no carnaval do Rio de Janeiro dividiu opiniões nesta sexta-feira, 23. Isso porque a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) anunciou a obrigatoriedade da retirada de ingressos para os ensaios técnicos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí. A novidade mirou o maior controle do acesso e da lotação do Sambódromo, mas acertou em instabilidade no aplicativo oficial e uma enxurrada de críticas.
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A medida foi anunciada pelo presidente da Liesa, Gabriel David, que também é responsável pela Rio Carnaval. Em uma publicação na conta oficial do Instagram, a marca anunciou a necessidade da retirada de ingressos gratuitos com CPF ou número de passaporte a partir do meio-dia desta sexta-feira, pelo app oficial da organização. Assim que os bilhetes foram liberados, no entanto, uma confusão tomou conta das redes sociais.
Ao entrar no link de retirada, o público passou a ser direcionado para uma fila virtual no site da Ticket Master. Por lá, o folião podia escolher uma das seis datas disponíveis e o setor da Sapucaí pelo qual gostaria de acompanhar o evento. Não se passou nem duas horas e as retiradas já estavam suspensas. Por volta das 14h, o site exibia a mensagem "evento encerrado".
Nas redes sociais da Rio Carnaval, os usuários passaram a acumular comentários com críticas e xingamentos à organização. Muitos apontaram uma possível elitização da festa de rua, enquanto outros criticavam a falta de funcionalidade do aplicativo.
"Exigir retirada de ingresso por um aplicativo que simplesmente não funciona é uma forma clara de exclusão. Marcaram meio-dia pra liberar e já está bugado, travando, fora do ar. Ou seja: quem tem sorte entra, quem não tem fica de fora", escreveu um folião.
"Sério, de quem foi essa ideia? Minha mãe pegou um lugar e só consegui outro. Se a ideia do ensaio tecnico é a família estar unida torcendo por você, como que faz? Quem vai segurar minha roupa se estou em setor diferente?", questionou outro perfil na mesma publicação.
Comunicado gerou confusão nas redes
Após as reclamações, um novo comunicado foi adicionado à pagina. Em vez do acesso ser exclusivamente com os ingressos, a Rio Carnaval anunciou a adoção de um "modelo híbrido". Dessa forma, os QR Codes emitidos pela internet seguem válidos, mas também será permitida a entrada normalmente, por catracas, até que se atinja a capacidade máxima da Sapucaí.
O presidente da Liesa, Gabriel David, também veio à público esclarecer a confusão. Segundo ele, a organização por meio da retirada de ingressos foi pensada para manter a segurança e o conforto do público nos ensaios.
"A Sapucaí é lugar de alegria, não de aperto, medo ou insegurança. Quem viveu os ensaios no ano passado sabe: houve momentos difíceis, com superlotação e riscos para crianças, idosos e para o público em geral. Por isso, desde o início, o objetivo sempre foi melhor atender o espectador", escreveu.
Em seguida, Gabriel anunciou a mudança no modelo de controle para o evento deste ano. "Ouvimos o público, acolhemos as críticas e, junto aos órgãos de segurança, ajustamos o modelo para um formato híbrido, com catracas, garantindo mais fluidez na entrada e um ambiente mais seguro para todos. O ensaio segue gratuito, popular e do povo", garantiu.
Os ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro ocorrem nos dias 30, 31 de janeiro, 1, 6, 7 e 8 de fevereiro.