O testamento do cantor e compositor italiano Francesco Guccini nomeou sua viúva, Raffaella Zuccari, como herdeira universal, incluindo a gestão de sua obra e imóveis históricos em Bolonha e Pavana. Sua única filha, Teresa, herdará a empresa Limentra Srl, objetos pessoais e 50% dos rendimentos de direitos autorais artísticos e literários do pai. Ícone da música folk e escritor, Guccini faleceu aos 86 anos, deixando um legado cultural construído ao longo de cinco décadas de carreira.
O testamento do cantor e compositor Francesco Guccini, um dos símbolos da música folk italiana no século 20, estabelece sua segunda esposa, Raffaella Zuccari, como herdeira universal de seu patrimônio.
Entre os bens abrangidos pela herança estão as casas associadas à trajetória do cantor e compositor em Bolonha e Pavana, nos Apeninos Toscano-Emilianos.
A decisão consta no documento público datado de 19 de janeiro de 2022 e aberto na última terça-feira (8) pelo tabelião Luigi Stame, em Bolonha, na presença de Zuccari e da única filha do artista, Teresa, fruto de seu relacionamento com Angela Signorini. O texto revoga expressamente qualquer testamento anterior.
Os principais pontos foram divulgados nesta quarta (9) pelos jornais italianos La Repubblica e Corriere della Sera.
Embora Zuccari seja nomeada herdeira universal, o testamento estabelece disposições específicas em favor de Teresa. A filha receberá todas as ações da empresa Limentra Srl e terá direito a 50% dos rendimentos provenientes dos direitos autorais relacionados à atividade artística do pai como cantor, compositor e escritor.
A outra metade dos direitos autorais ficará com Zuccari. O documento determina que a gestão, exploração e administração dos direitos derivados da atividade artística de Guccini sejam responsabilidade exclusiva da herdeira universal.
Ao mesmo tempo, estabelece que metade de todos os rendimentos obtidos com essa atividade seja destinada à filha. Teresa também poderá, segundo o testamento, tomar medidas para receber diretamente sua parcela de 50% junto às organizações e entidades responsáveis pelos direitos.
O testamento não estabelece um legado específico para Teresa em relação à casa da Via Paolo Fabbri 43, em Bolonha, endereço que se tornou célebre por dar nome ao álbum lançado por Guccini em 1976, nem à residência de Pavana, onde o artista viveu durante os últimos anos.
No documento de registro, Guccini aparece como residente na Via Paolo Fabbri 43 e domiciliado em Pavana, na Via Pavana 86. Com a nomeação de Zuccari como herdeira universal, os imóveis integram, portanto, a herança destinada à segunda esposa, na ausência de uma disposição testamentária específica que os atribua à filha.
Entretanto, Guccini deixou ainda alguns objetos pessoais expressamente para Teresa. Em uma anotação manuscrita, feita abaixo do texto datilografado do testamento, o cantor especificou que queria deixar à filha seu violão Trameluluc, um relógio Leonardo da Vinci e um anel de ouro com as iniciais do pai, "F" e "G".
O artista acrescentou uma recomendação bem-humorada sobre o relógio: "apenas adiante os ponteiros do relógio para não quebrá-lo".
Guccini morreu em 6 de agosto de 2026, aos 86 anos. Na ocasião, a família anunciou o falecimento em comunicado, afirmando que o artista estava cercado pelo afeto da esposa Raffaella, da filha Teresa e de outros familiares.
Ele lançou seu primeiro álbum em 1967 e construiu uma carreira de aproximadamente cinco décadas, com 16 discos de estúdio e coletâneas, além de seis álbuns ao vivo. Também atuou como romancista e roteirista de histórias em quadrinhos.
Canções como "L'avvelenata", marcada pelo confronto com a crítica da indústria musical; "Canzone per un'amica", sobre a perda precoce de uma amiga; "La locomotiva", inspirada em ideias anarquistas e associada à luta por justiça social; e "Eskimo", sobre a passagem do tempo e a juventude, ajudaram a transformá-lo em um dos mais admirados cantores e compositores da Itália.
Desde o início dos anos 2000, Guccini vivia principalmente em Pavana, pequeno vilarejo nas montanhas dos Apeninos. O local se tornou ponto de encontro para admiradores que procuravam o artista. Nos últimos anos, ele se dedicou sobretudo à literatura e publicou romances policiais em parceria com o escritor Loriano Macchiavelli.