Peça teatral "TOC TOC", em cartaz em São Paulo, usa humor para abordar saúde mental, promovendo reflexão sobre transtornos e acolhimento por meio de personagens diversos.
Um homem que xinga involuntariamente devido à Síndrome de Tourette, outro que faz cálculos compulsivamente. Uma mulher que é maníaca por limpeza, uma que pensa ter esquecido a torneira e o gás abertos o tempo todo. Um rapaz que não pode pisar em linhas, e uma moça que repete duas vezes tudo o que diz. Todos sentados na sala de espera de um psiquiatra, aguardando a consulta, e acabam percebendo que a união entre si é mais forte do que qualquer preconceito.
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Esse é o pano de fundo da peça teatral ‘TOC TOC’, uma comédia com elenco estrelado que está em cartaz em São Paulo, e aposta em uma combinação necessária: falar de saúde mental com leveza, humor e humanidade.
A peça já foi vista por mais de um milhão de pessoas no país -- e até virou filme --, abordando o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) sem cair na caricatura, e ainda usa o riso como porta de entrada para a reflexão do público.
Para a atriz Iara Jamra, que interpreta Maria, personagem constantemente tomada pela dúvida se deixou algo aberto, o humor é o grande responsável por fazer o tema chegar ao público sem pesar. “As pessoas riem, se identificam, mas não fica aquele peso. O humor consegue chegar nas pessoas de um jeito muito mais direto”, disse em entrevista ao Terra.
Segundo ela, quando a peça estreou pela primeira vez, falar sobre TOC ainda era um tabu. Hoje, o cenário mudou, mas o impacto continua. “A gente já consegue conversar mais sobre saúde mental, ir ao médico, aceitar. E a peça ajuda muito nisso”.
A atriz Giselle Itié, que estreia na montagem interpretando Branca, uma personagem obcecada por limpeza, também divide da mesma opinião. Para a atriz, a comédia tem um papel essencial ao tratar temas considerados difíceis. “A arte serve para isso: falar sobre assuntos espinhosos de uma forma mais leve e fazer refletir”, diz. Mesmo recém-chegada ao elenco, ela conta que o retorno do público confirma essa potência. “As pessoas param, comentam, conversam depois. Algo fica”.
Já Daniel Dantas, que vive Fred, personagem com tiques vocais, aponta que a peça provoca uma reflexão ainda mais profunda sobre o que se entende como “normal”. “Quando você junta seis pessoas com transtornos diferentes, surge a pergunta: o que é normal, afinal?”, questiona.
Para o ator, a obra escancara a necessidade de rever padrões impostos pela sociedade e de reconhecer que ninguém se encaixa perfeitamente neles. “De perto, ninguém é normal. E viver normalmente se constrói aceitando a si mesmo e aos outros”.
A ideia de convivência e acolhimento é a leitura que Ricardo Tozzi faz sobre a peça. Ele interpreta Vicente, obcecado por cálculos. Para Tozzi, o espetáculo se torna ainda mais atual em um mundo marcado por polarizações e falta de diálogo. “Eles não têm nada em comum, mas se unem para tentar se ajudar. Isso torna a peça hiper-humana”, avalia. “É um exemplo de que, mesmo cheios de questões, quando existe escuta e vontade de construir algo juntos, isso faz diferença”.
Dirigida por Alexandre Reinecke e adaptada do texto do francês Laurent Baffie, a peça mantém sua força justamente por não ser didática. “É uma comédia que vai além do entretenimento, que joga luz sobre uma disfunção psicológica de maneira divertida e inteligente”, resume o diretor.
O elenco reúne Daniel Dantas, Iara Jamra, Giselle Itié e Ricardo Tozzi, além de Miguel Menezzes, Sara Freitas e Jade Mascarenhas. TOC TOC reforça que falar de saúde mental pode, e deve, passar pelo riso.
Serviço:
- Temporada: de 23 de janeiro a 1 de março de 2026
- Sessões: sexta às 20h; sábado, às 20h e às 22h; domingo, às 18h.
- Local: Teatro UOL – Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 - Consolação, São Paulo
- Ingressos: Setor A: R$150 (inteira) e R$75 (meia); e setor B: R$120 (inteira) e R$60 (meia)
- Duração: 80 minutos
- Classificação: 14 anos