O escritor António Lobo Antunes, um dos autores em língua portuguesa mais lidos e traduzidos do mundo, faleceu em Lisboa, sua cidade natal, nesta quinta-feira (5) aos 83 anos. A causa da morte não foi divulgada.
Antunes é considerado um dos nomes mais importantes da literatura europeia contemporânea, tendo vencido diversos prêmios, como o Camões, em Portugal, em 2007; o Europeu de Literatura, em 2001; o latino-americano Juan Rulfo, em 2008; e o italiano Bottari Lattes Grinzane, em 2018. Além disso, ele foi indicado diversas vezes ao Nobel.
Com formação em medicina, Antunes trabalhou como médico militar em Angola durante a guerra colonial portuguesa, na qual Lisboa enfrentou os movimentos nacionalistas em suas colônias na África entre 1961 e 1974.
A experiência marcou profundamente a vida e a obra do escritor.
"Eu não queria morrer na guerra porque tinha certeza de que escreveria livros como ninguém jamais havia escrito antes", declarou o autor em uma entrevista.
Seu livro de estreia, já em tempos democráticos, "Memória de Elefante", foi rejeitado por diversas editoras antes de ser publicado, com grande aclamação, em 1979, ano que saiu também outra obra importante de sua autoria sobre a guerra na África, "Os Cus de Judas".
Com uma extensa bibliografia, que inclui ainda "As Naus" (1988) e "Comissão das Lágrimas" (2011), Antunes publicou seu 32º e último romance em 2022, "O Tamanho do Mundo".
"[Antunes] escreveu toda a sua obra de romancista, mas também de cronista, em um registro de ternura contundente, com a mágoa e o fracasso das vidas comuns postos lado a lado com as tragédias políticas, o excesso e a empatia", declarou o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, citado pela imprensa local, ao comentar o falecimento do autor e médico.
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