Vinte anos após ter lançado "Gomorra", obra que documenta a atuação da máfia italiana e sua relação com o poder, o jornalista e escritor Roberto Saviano afirmou que o livro "destruiu" a sua vida.
"'Gomorra' reduziu minha liberdade, arruinou minha vida, destruiu-a", declarou Saviano, que há 20 anos vive sob proteção policial, a estudantes universitários em Nápoles, terra de clãs mencionados no best-seller.
No entanto, o jornalista também reconheceu o lado positivo de seu trabalho investigativo sobre a criminalidade na região da Campânia, comandada, em grande parte, pela Camorra.
"Certamente é um privilégio ver o impacto que isso teve na realidade", pontuou o escritor, respondendo aos alunos que, passadas duas décadas da publicação do livro, ele "nunca deixou de ter medo".
"O verdadeiro trabalho é não ser covarde. O medo é saudável, serve para proteger; já a covardia, por outro lado, é veneno, e tento mantê-la à distância", explicou Saviano.
Ao relembrar sua vida nos últimos 20 anos, o autor explicou que "o primeiro preço que se paga por contar uma história é a difamação: ataca-se o mensageiro e não se aborda a mensagem".
Já o segundo "é a reação das organizações criminosas, irritadas comigo porque essas histórias chegaram a todos, forçando os políticos a fazer algo".
"Como os processos judiciais são longos, ao contar uma história, as coisas são vistas pelas pessoas, e as palavras se tornam perigosas quando compartilhadas", destacou Saviano sobre as consequências de "Gomorra", livro publicado originalmente em maio de 2006 e que teve adaptações para o cinema e a TV.