Em um vídeo nas redes, Juliano Cazarré faz uma pergunta diretamente à câmera.
“Como é que você está?”
Segue-se um longo silêncio.
A maioria dos homens passa a vida inteira sem ouvir essa preocupação a respeito de seu estado emocional.
É uma pergunta capaz de ‘quebrar as pernas’ de quem esconde fragilidades e dores por trás do escudo da masculinidade.
Não importa se é de direita ou esquerda, conservador ou progressista, hétero ou gay, branco ou preto.
O homem brasileiro, em geral, vive sob opressão desde a infância: sente dificuldade de chorar, desabafar, pedir socorro.
O resultado é um dano trágico ao bem-estar psíquico: 75% dos suicídios no país são de pessoas do sexo masculino.
Jovens, velhos, ricos, pobres, casados, solteiros. Todos estão suscetíveis às consequências desse condicionamento rígido do que é ser homem.
Os protestos suscitados pelo curso de Cazarré a fim de recuperar a “masculinidade” são legítimos: teme-se o incentivo à virilidade agressiva que afeta a segurança das mulheres.
Mas dessa iniciativa controversa podemos tirar um aspecto relevante: a necessidade de todas as instâncias — a família, a escola, o mundo corporativo, a saúde pública e privada etc. — darem mais atenção ao estado mental masculino.
Trata-se de uma medida preventiva urgente que pode ajudar a evitar futuras consequências drásticas, como feminicídios e autocídios.
Cuidar da estrutura emocional dos homens não significa validar comportamentos criminosos ou romantizar modelos ultrapassados de masculinidade.
Significa, antes de tudo, reconhecer que existe um sofrimento silencioso que atravessa gerações e que continua sendo negligenciado.
Por isso, grupos do tipo ‘legendários’ — alvos de críticas e deboches, sem um necessário debate — viram uma ‘muleta’ a quem não encontra apoio em outros lugares.
“Como é que você está?” deveria ser uma pergunta cotidiana, com uma escuta acolhedora para a resposta.
Nenhum homem consegue ser forte o tempo todo.