Teatro La Fenice, em Veneza, cancela nomeação de diretora aliada de Meloni

Beatrice Venezi era contestada desde sua indicação ao cargo, em 2025

27 abr 2026 - 09h13
(atualizado às 10h06)

A passagem de Beatrice Venezi como diretora musical de La Fenice chegou ao fim antes mesmo de começar, após a fundação que administra a prestigiada casa de ópera de Veneza anunciar, no domingo (26), o cancelamento de todas as futuras colaborações com a regente e pianista.

Beatrice Venezi era contestada por conta de falta de experiência para assumir o Teatro La Fenice
Beatrice Venezi era contestada por conta de falta de experiência para assumir o Teatro La Fenice
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A decisão foi tomada após Venezi acusar músicos italianos de nepotismo em entrevista ao jornal argentino La Nación, quando afirmou que os cargos na orquestra veneziana eram passados sobretudo de pai para filho.

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O superintendente da Fundação Teatro La Fenice, Nicola Colabianchi, antigo aliado da pianista, declarou que a medida se deve a "repetidas e graves declarações públicas ofensivas e prejudiciais ao valor artístico e profissional" da entidade e de seu corpo musical.

Atual diretora convidada do Teatro Colón, em Buenos Aires, Venezi deveria assumir o novo cargo em outubro, tornando-se a primeira mulher diretora musical de La Fenice. Ela havia sido nomeada em setembro de 2025, em meio a repetidos protestos da orquestra e da equipe contra supostas interferências políticas devido a seus laços com a premiê Giorgia Meloni.

Venezi, 36 anos, é filha de um militante de extrema direita e foi elogiada pela primeira-ministra em diversas ocasiões, recebendo também um prêmio de seu partido, o Irmãos da Itália (FdI). Desde 2022, é conselheira musical do ministério da Cultura.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (27), o governo assegurou que a premiê não teve nenhum envolvimento com o tema, após o jornal Corriere della Sera ter publicado que ela havia "autorizado" o rompimento com Venezi, temendo efeitos negativos da nomeação em sua popularidade.

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A pianista nunca regeu uma grande orquestra de ópera, e críticos diziam que seu currículo era muito limitado para comandar La Fenice, um dos teatros mais famosos do mundo. O ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, que defendia a nomeação de Venezi, afirmou no domingo que tem "total confiança" em Colabianchi e que espera que a decisão "dissipe os mal-entendidos" e as "tensões".

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