O Ministério da Cultura da Itália enviou nesta quarta-feira (29) inspetores à Bienal de Veneza a fim de coletar informações sobre a abertura do pavilhão da Rússia na 61ª edição da mostra internacional de arte, que será inaugurada em 9 de maio.
A averiguação teria como base a recente decisão do júri internacional do evento de excluir artistas russos e israelenses da premiação, já que seus países são liderados por pessoas "acusadas de crimes contra a humanidade".
"O envio de inspetores [à Bienal de Veneza] está totalmente dentro das prerrogativas do Ministério, e não há nada a ser contestado. No entanto, cada passo, mesmo o formal e administrativo, deve ser acompanhado de uma compreensão do contexto", declarou em nota o presidente do Conselho Regional da região do Vêneto, Luca Zaia.
Segundo ele, "a questão hoje é compreender o resultado desta avaliação para que não se torne um mero confronto".
"Confio na reputação e na inteligência das partes institucionais interessadas para que possamos encontrar uma solução digna de uma exposição de arte que goza de visibilidade global e que possa fortalecer ainda mais o seu papel com esse embate", concluiu Zaia.
Por sua vez, a respeito da participação da Rússia na edição 2026, a Fundação Bienal de Veneza voltou a reforçar "o absoluto respeito às normas, tendo atuado em estrita conformidade com as leis nacionais e internacionais aplicáveis e dentro dos limites de suas competências e responsabilidades".
Em comunicado, o órgão responsável pelo evento esclareceu que a presença russa na 61ª edição se deu após a Bienal "observar e fazer cumprir as sanções existentes [contra Moscou] e a informar as autoridades governamentais com antecedência".
"As discussões necessárias foram realizadas com a Federação Russa, assim como com qualquer outro país, a respeito de todos os procedimentos exigidos", frisou a Fundação.
Ainda nesta quarta, o Comissário Europeu para o Desporto e a Cultura, Glenn Micallef, afirmou durante a sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, que poderá "não aceitar o convite recebido" para participar da Bienal, tendo em vista a confirmação do pavilhão russo na mostra".
"Enquanto a Rússia e suas autoridades continuarem a ser convidadas [para a Bienal] e o povo ucraniano continuar a ser alvo de ataques diários, não poderei estar presente [em Veneza]", disse Micallef.