Israel ordena investigação sobre filme premiado no Festival de Veneza

'Naza' denuncia sistema utilizado para estimar mortes de civis em Gaza

14 set 2026 - 11h48
(atualizado às 14h31)
Resumo
O Exército de Israel abriu investigação contra o documentário "Naza", premiado no Festival de Veneza, por suposto uso não autorizado de dados sigilosos e calúnia militar. Dirigido por israelenses, o filme expõe como as forças armadas calculavam mortes civis em Gaza com base em relatos de mais de 20 militares. O premiê Benjamin Netanyahu e o Exército acusaram a obra de distorcer a realidade e conspirar contra as tropas, enquanto membros do governo pediram a cassação da cidadania dos cineastas.

O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Eyal Zamir, ordenou uma investigação sobre a divulgação não autorizada de material sigiloso utilizado no filme "Naza", premiado no Festival de Cinema de Veneza de 2026.

Rachel Szor e Yuval Abraham conquistaram Prêmio Especial do Júri em Veneza por 'Naza'
Rachel Szor e Yuval Abraham conquistaram Prêmio Especial do Júri em Veneza por 'Naza'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O documentário, dirigido pelos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, explica o funcionamento de um sistema utilizado pelas IDF para estimar o número de mortes de civis em ataques aéreos na Faixa de Gaza. Israel, no entanto, acusa o longa de disseminar "calúnias" contra militares.

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O filme foi gravado em segredo nos telhados de Tel Aviv durante a recente guerra em Gaza e incluiu entrevistas com mais de 20 soldados e funcionários da inteligência militar israelense, mostrando que o Exército consegue calcular com precisão quantos civis podem morrer em um determinado bombardeio contra o grupo fundamentalista Hamas.

Aplaudido por 25 minutos em sua projeção oficial no Festival de Veneza, "Naza" faturou o Prêmio Especial do Júri na mostra, no último sábado (12).

Segundo comunicado das IDF, o documentário "distorce deliberadamente a realidade, minando a legitimidade do Exército e do Estado de Israel".

As Forças de Defesa determinaram a instituição de uma equipe para elaborar planos de ação e instrumentos para combater "falsas acusações" e encarregaram o procurador-geral militar de avaliar e promover possíveis iniciativas legais contra o filme e as pessoas envolvidas.

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As IDF "usarão todas as ferramentas à sua disposição para proteger seus soldados, comandantes e tropas de combate, bem como a reputação do Exército israelense", diz a nota.

Já o premiê Benjamin Netanyahu definiu o longa como ?chocante?. ?Estamos combatendo a incitação ao antissemitismo em todo o mundo, mas é intolerável  quando ela vem de dentro de nós?, acrescentou ele em um vídeo nas redes sociais. Segundo o chefe de governo, trata-se de uma ?conspiração? contra os ?bravos soldados? israelenses.

No último domingo (13), o ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, já havia pedido a revogação da cidadania de Yuval Abraham e Rachel Szor e acusado os documentaristas de "traição à pátria".

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