Psiquiatra francesa explica por que é tão difícil largar o cigarro

O tabaco é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano no planeta, e 1,3 milhão delas envolve fumantes passivos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados em 2023. No Brasil, o tabagismo causa cerca de 160 mil mortes anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Existem mais de 5 mil substâncias na fumaça do cigarro, e cerca de 50 delas são cancerígenas.

14 jul 2026 - 12h28

Como a nicotina gera dependência, abandonar o cigarro é um verdadeiro desafio individual e de saúde pública. A substância chega ao cérebro em poucos segundos, e sua ausência provoca irritação e ansiedade, e é por isso que é difícil controlar a vontade de continuar fumando.

Tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS); número inclui milhões de vítimas da exposição passiva à fumaça do cigarro.
Tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS); número inclui milhões de vítimas da exposição passiva à fumaça do cigarro.
Foto: Getty Images/iStockphoto - AndreyPopov / RFI

Como buscar ajuda? Colocar a decisão em prática requer disciplina e determinação, e é comum que várias tentativas ocorram antes da interrupção definitiva do consumo, lembra a psiquiatra francesa Mathilde Sennhauser, do Hospital Sainte-Anne, especialista em dependência química.

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"Cada pessoa terá sua própria motivação. Para algumas delas, será a saúde. Para outras, serão os filhos, as finanças, a pele, os dedos e os dentes que ficam amarelos. As motivações podem ser variadas", diz a psiquiatra francesa.

O processo de desintoxicação é lento e parecido com o de outras drogas, já que a nicotina "ativa os mesmos circuitos cerebrais", lembra a psiquiatra francesa. "A nicotina faz parte das substâncias mais viciantes, ou seja, daquelas que favorecem o surgimento de uma dependência", alerta Mathilde Sennhauser.

A francesa Marie, de 47 anos, demorou anos para conseguir se livrar definitivamente do cigarro. Ela tentou hipnose e outras técnicas, mas só conseguiu colocar um fim ao vício após buscar acompanhamento psicológico.

As sessões ajudaram Marie a entender como ela se relacionava com o cigarro e por que era tão difícil parar. A gestão das emoções relacionadas ao ato de fumar, conta, ajudou-a a atingir seu objetivo.

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"Na verdade, eu estava realmente farta de fumar, de procurar meus cigarros por toda parte, de ser dependente, de ter que correr para comprar porque não tinha mais nenhum maço", explica. "Decidi buscar acompanhamento porque sabia que já tinha acumulado vários fracassos nas minhas tentativas de parar de fumar".

A psiquiatra lembra que a síndrome de abstinência, como ocorre com qualquer droga, é um momento decisivo. "Há a abstinência física, que ocorre logo depois de parar de fumar. Podemos ficar mais tensos, mais irritados, até meio tristes. Em seguida, temos as medidas que vão ajudar a não voltar a fumar a longo prazo".

Cigarro eletrônico não deve ser utilizado

O cigarro eletrônico, que surgiu como uma alternativa para fumantes que querem abandonar o vício, gera novos riscos, alerta a psiquiatra. E, no caso dos adolescentes, pode ser uma porta de entrada para o cigarro.

"A ideia é transformar o cigarro eletrônico em um objeto da moda, com embalagens coloridas e múltiplos sabores. Isso é problemático porque, como contém nicotina, desencadeia essa dependência. Mesmo sem nicotina, estabelece-se um hábito, essa dependência comportamental de ter sempre o gesto de fumar alguma coisa. Isso pode realmente favorecer o surgimento do tabagismo mais tarde".

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A psiquiatra francesa lembra algumas dicas que podem ajudar no processo: evitar ambientes onde outras pessoas fumam e outras situações propícias ao consumo, ter em mente o custo do vício, beber bastante água e praticar exercícios físicos são algumas das medidas que podem ajudar a abandonar definitivamente o cigarro.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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