O Império Romano construiu uma impressionante rede de esgoto e diversos edifícios públicos voltados à higiene, como as termas e as latrinas. No entanto, sabe-se que viviam em condições de alta contaminação fecal e que Roma, apesar dos esforços dos romanos, não cheirava bem.
Existem até mesmo textos de autores clássicos, como o naturalista Plínio, o Velho, que falam claramente sobre o uso de excrementos para curar doenças. No entanto, não havia provas que demonstrassem que esses remédios à base de fezes fossem realmente aplicados, porque a medicina antiga era, em parte, uma mistura confusa de fórmulas teóricas que nem sempre chegavam ao paciente.
Mas isso mudou agora. Uma análise química de um frasco medicinal da época romana, publicada no Journal of Archaeological Science: Reports, confirma que os romanos acreditavam que os excrementos eram medicinais.
O professor de arqueologia da Universidade de Cumhuriyet (Turquia), Cenker Atila, estava trabalhando nos depósitos do Museu de Pérgamo quando percebeu que vários frascos de vidro do século II d.C. ainda continham uma crosta de resíduos, então decidiu investigar o que havia ali.
Após selecionar um com formato de candelabro, chamado unguentarium, normalmente destinado a guardar perfume ou maquiagem, Atila e sua equipe de pesquisa rasparam cuidadosamente o resíduo e o analisaram por meio de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, técnica que serve para analisar e quantificar traços de compostos em misturas ...
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