Em 2014, após a queda do voo MH17 sobre o leste da Ucrânia, investigadores internacionais passaram meses reunindo fragmentos metálicos espalhados entre campos e estradas para identificar a arma responsável. Uma das maiores surpresas não foi apenas o próprio míssil, mas a quantidade de informações que pequenos pedaços aparentemente insignificantes podiam revelar. A Ucrânia há muito se surpreende com o que há dentro da tecnologia militar russa, mas o caso mais recente talvez supere tudo que já foi visto.
100 componentes que não deveriam estar lá
Já são inúmeros drones e mísseis interceptados por Kiev, mas o último "unboxing" soou alarmes. Quando as equipes ucranianas começaram a analisar os restos dos mísseis Kh-101 que atingiram prédios residenciais na capital, esperavam encontrar tecnologia russa, talvez peças chinesas ou sistemas improvisados para evitar sanções.
O que encontraram foi muito mais incômodo para o Ocidente: mais de cem componentes fabricados por empresas americanas e europeias dentro de cada míssil. Chips, microeletrônicas e sistemas produzidos anos após o início das sanções, até mesmo em 2026, continuaram a aparecer em algumas das armas mais avançadas do arsenal russo. Para a Ucrânia, a descoberta acabou gerando um sentimento particularmente amargo: os mísseis que devastam cidades ucranianas ainda dependem parcialmente de tecnologias projetadas e fabricadas pelos mesmos países que apoiam Kiev militarmente.
A grande brecha das sanções
O caso do ...
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