Keeta diz que mais de 80% das grandes redes de restaurantes de SP estão bloqueadas à empresa

16 set 2026 - 15h55
Resumo
A Keeta revelou que 85,7% das grandes redes de restaurantes de São Paulo estão impedidas de operar com a empresa devido a contratos de exclusividade firmados com rivais. Segundo a companhia, controlada pela chinesa Meituan, essas barreiras geraram prejuízo de mais de R$ 1 bilhão em um ano e limitam a concorrência no setor. A empresa trava disputas judiciais e no Cade contra a rival 99 Food, enquanto planeja investir R$ 1 bilhão no Brasil, enfrentando concorrentes de peso como a líder iFood.

A empresa de ‌delivery de comida Keeta divulgou nesta quarta-feira estudo que afirma que 85,7% das grandes redes de restaurantes da região metropolitana de São Paulo estão impedidas de fazer negócios com a companhia por causa de cláusulas de banimento ou exclusividade acertadas por elas com rivais ⁠da companhia no setor de entregas.

O levantamento da Keeta, controlada pela gigante ‌chinesa Meituan, é baseado em dados coletados diretamente pela companhia junto a 147 restaurantes âncora por uma equipe de 800 pessoas ‌da própria empresa. A Keeta considera como ‌restaurantes âncora as redes com cinco ou mais lojas ⁠na região metropolitana de São Paulo.

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"A estrutura atual prejudica restaurantes, entregadores parceiros e consumidores, e ajuda a explicar por que o Brasil ficou parado enquanto o setor de delivery avançou globalmente em competição, inovação e qualidade de serviço", disse Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta, em ‌comunicado à imprensa.

A divulgação do levantamento veio depois que o Tribunal ‌do Conselho Administrativo de ⁠Defesa Econômica (Cade) rejeitou ⁠no início do mês recurso da Keeta contra cláusulas de exclusividade acertadas pela ⁠rival 99 Food com restaurantes, ‌mas determinou mais investigações da ‌autoridade concorrencial sobre o setor.

Segundo a Keeta, tanto no segmento de pizza quanto no de comida saudável, 92% das redes não podem escolher livremente sua plataforma de entrega por causa dos ⁠acordos de banimento ou exclusividade. Na categoria de hambúrgueres, por exemplo, a taxa é 86%.

"Perdemos mais de R$1 bilhão em um ano aguardando a ação das autoridades", afirmou Mansano no comunicado.

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Após o julgamento no Cade, a Keeta aguarda ‌para dia 29 deste mês decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) sobre ação da empresa contra a cláusulas de ⁠banimento acertadas pela 99 Food com restaurantes.

A própria Keeta foi alvo de um processo da 99, da também chinesa DiDi Global, em agosto do ano passado em São Paulo. Na ação, a 99 acusou a Keeta de "violação de marca registrada e concorrência desleal".

Em janeiro deste ano, a Keeta afirmou ter planos de investir R$1 bilhão no Brasil em cinco anos e alcançar cobertura nacional.

Mais cedo nesta quarta-feira, a iFood, da gigante europeia Prosus e líder do mercado de delivery nacional, anunciou planos de investir R$24 bilhões no Brasil no ano fiscal até março de 2027, um aumento de 41% sobre o ciclo anterior.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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