Japão prepara missão inédita para coletar amostras de lua de Marte, em colaboração com EUA e Europa

Cientistas japoneses preparam uma missão às luas de Marte para coletar amostras que podem ajudar a desvendar a origem do Sistema Solar e da vida na Terra, naquela que pretende ser a primeira viagem de ida e volta à região marciana.

19 out 2026 - 11h15
Resumo
O Japão lançará a missão inédita MMX, em parceria com EUA e Europa, rumo a Marte. A sonda coletará amostras da superfície da lua Fobos e observará Deimos, realizando a primeira viagem de ida e volta ao sistema marciano. Com o auxílio do robô IDEFIX, o projeto busca desvendar a origem do Sistema Solar, avaliar o surgimento de ambientes habitáveis e preparar futuras viagens tripuladas, em meio à corrida espacial contra a China pelo retorno de materiais da região.

A sonda não tripulada Martian Moons eXploration (MMX), uma colaboração entre as agências espaciais dos Estados Unidos e da Europa, além de diversas universidades e empresas de tecnologia, também poderá contribuir para preparar futuras missões tripuladas a Marte.

JAPAN OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN JAPAN. O foguete H3, que transporta a sonda Martian Moons Exploration (MMX), com destino a Fobos, lua de Marte, é levado para a plataforma de lançamento antes da decolagem prevista no Centro Espacial de Tanegashima, na ilha de Tanegashima, na província de Kagoshima, sudoeste do Japão, em 19 de outubro de 2026.
JAPAN OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN JAPAN. O foguete H3, que transporta a sonda Martian Moons Exploration (MMX), com destino a Fobos, lua de Marte, é levado para a plataforma de lançamento antes da decolagem prevista no Centro Espacial de Tanegashima, na ilha de Tanegashima, na província de Kagoshima, sudoeste do Japão, em 19 de outubro de 2026.
Foto: via REUTERS - KYODO / RFI

O foguete H3, que transportará a MMX, deve decolar do Centro Espacial de Tanegashima na terça-feira, às 4h41 (16h41 de segunda-feira, no horário de Brasília), segundo a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

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"Poder participar de uma missão tão grandiosa é incrivelmente empolgante", disse Makoto Arita, gerente do projeto da equipe do foguete H3 da JAXA, a jornalistas dois dias antes do lançamento.

A espaçonave deve chegar às proximidades de Marte por volta de agosto do próximo ano. Ela entrará em órbita de uma de suas luas, Fobos, antes de pousar e coletar pelo menos 10 gramas de material de sua superfície durante três anos de operações na esfera de influência de Marte.

Um robô chamado IDEFIX — nome francês do cachorro do personagem de quadrinhos Asterix, Ideafix — fará primeiro observações da superfície para garantir que o pouso seja realizado com segurança.

"A coleta de amostras de Fobos é, naturalmente, uma estreia mundial, mas isso significa que esta é a primeira viagem de ida e volta ao sistema marciano", disse à AFP Yasuhiro Kawakatsu, gerente do projeto MMX.

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A JAXA afirmou que a missão também estudará a possibilidade de utilizar Fobos como uma "estação espacial natural", estabelecendo os requisitos para uma viagem de ida e volta a Marte — algo "essencial para a exploração tripulada de Marte". A sonda também observará Deimos, a outra lua do planeta vermelho, mas não pousará nela, antes de retornar à Terra.

Impacto ou captura

A JAXA espera que a missão ajude a esclarecer como Marte e suas duas luas se formaram, uma informação fundamental para compreender como surgiu o Sistema Solar.

Uma das teorias sobre a origem das luas marcianas, conhecida como hipótese do "grande impacto", é que elas tenham se formado após a colisão de um corpo celeste com Marte. Já a hipótese da "captura" sustenta que as luas seriam asteroides capturados pela gravidade de Marte.

Determinar qual teoria está correta ajudará a compreender "como um ambiente habitável para a vida pode ter surgido nos planetas terrestres", afirmou a JAXA, referindo-se aos quatro mundos rochosos mais próximos do Sol: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

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"A MMX trará esclarecimentos sobre os mecanismos de transporte que levaram água, elementos voláteis e compostos orgânicos das regiões externas do Sistema Solar para a região interna dos planetas rochosos — processos que podem ter desempenhado um papel fundamental na transformação desses mundos em ambientes habitáveis", disse Patrick Michel, astrofísico francês que trabalha no projeto IDEFIX.

"Se Fobos e Deimos forem de fato remanescentes desses primeiros sistemas de transporte, elas podem conter pistas sobre a própria origem da vida ou, para sermos mais precisos, sobre o transporte dos materiais fundamentais para o surgimento da vida nos planetas rochosos", disse ele à AFP.

No fundo do "poço gravitacional"

A MMX é uma colaboração com o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES), o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e cerca de 20 universidades e empresas de tecnologia.

O desenvolvimento das pernas de pouso da espaçonave foi particularmente difícil porque a gravidade de Fobos é extremamente fraca, segundo cientistas da JAXA. A missão japonesa não tripulada Smart Lander for Investigating Moon (SLIM) — apelidada de "Moon Sniper" — tombou após pousar na Lua da Terra em 2024, mas ainda conseguiu transmitir dados e sobreviver a várias noites lunares de duas semanas.

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O Japão também tem experiência na coleta e no retorno de amostras do espaço. A sonda não tripulada Hayabusa-2, da JAXA, trouxe de volta à Terra, em 2020, 5,4 gramas de rochas e poeira coletadas de um asteroide localizado a várias centenas de milhões de quilômetros do nosso planeta.

Na próxima missão, "teremos que viajar muito perto de Marte e retornar", o que significa escapar da forte gravidade do planeta, disse Kawakatsu aos jornalistas. Fobos orbita a cerca de 6 mil quilômetros acima da superfície de Marte. "É difícil chegar ao fundo do que chamamos de 'poço gravitacional'", afirmou Kawakatsu.

Missão da China

As agências espaciais dos Estados Unidos e da China vêm competindo na obtenção de amostras coletadas na superfície de Marte.

O robô Perseverance, da NASA, que explora o planeta vermelho desde 2021, já coletou amostras. A missão, no entanto, foi efetivamente cancelada pelo governo do presidente Donald Trump após uma votação no Congresso americano em janeiro.

A China, por sua vez, anunciou que sua espaçonave Tianwen-3 deve ser lançada por volta de 2028 e espera trazer amostras de Marte para a Terra já em 2031 — potencialmente antes do retorno da MMX.

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Cientistas da JAXA afirmam que areia e rochas de Fobos podem oferecer uma variedade maior de amostras do que as encontradas no próprio planeta, especialmente se a lua tiver se formado a partir da colisão entre um corpo celeste e Marte.

com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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