Em 1945, os EUA gastaram uma fortuna tentando criar um "supercão": 500 filhotes, e 13 anos depois descobriram o problema

Experimento acabou ensinando aos pesquisadores por que aquela receita era simplista demais

19 out 2026 - 08h35
Resumo
Após a Segunda Guerra Mundial, os EUA investiram o equivalente a nove milhões de dólares em um ambicioso projeto genético que durou 13 anos e envolveu mais de 500 filhotes de cinco raças. Financiada pela Fundação Rockefeller, a pesquisa School for Dogs buscava criar um cão altamente inteligente por meio da seleção hereditária, servindo como pano de fundo para investigar teorias sobre o comportamento e a inteligência que antes eram associadas à eugenia humana.
Imagem | The University of Chicago Press
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Foto: Imagem | The University of Chicago Press / Xataka

Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram um dos experimentos caninos mais ambiciosos já realizados: mais de 500 cães, 13 anos de pesquisa e US$ 632 mil (equivalente a cerca de nove milhões de dólares hoje) para estudar os limites da genética. Por trás de tudo estava a Fundação Rockefeller e uma questão herdada de uma era muito mais sombria: se os genes certos fossem escolhidos, seria possível criar um cão extraordinariamente inteligente?

Escola para o cão perfeito

O projeto começou no Maine, em meados da década de 1940, e acabou ficando conhecido como School for Dogs. Os pesquisadores John Paul Scott e John Fuller tinham acesso a instalações enormes, dezenas de funcionários e cinco raças (cocker spaniel, beagle, pastor de Shetland, basenji e fox terrier de pelo duro) cujos filhotes podiam ser acompanhados desde o nascimento.

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Eles registravam a primeira reação de susto, as brincadeiras, quando começavam a comer alimentos sólidos ou a abanar o rabo e, a partir das cinco semanas de idade, os submetiam a testes de inteligência, aprendizado, dominância, personalidade e capacidade de treinamento.

Resposta sobre humanos

A magnitude do projeto é melhor compreendida ao se considerar o contexto histórico em que nasceu. O Holocausto desacreditou a eugenia e suas alegações de aprimorar os seres humanos por meio da seleção genética, enquanto algumas figuras influentes permaneceram convencidas de que a hereditariedade explicava grande parte da inteligência e do comportamento.

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