O Japão tem uma relação com armas nucleares que nenhum outro país pode descrever. Hiroshima e Nagasaki não são apenas dois nomes nos livros de história, mas a origem de uma identidade política construída ao longo de décadas em torno da rejeição da bomba. No entanto, a segurança japonesa também se baseia em uma realidade difícil de conciliar: o guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos. O que começa a mudar agora não é necessariamente a decisão de cruzar esse limiar, mas algo anterior e talvez mais delicado: a possibilidade de discutir se todas as suas linhas vermelhas permanecem absolutas.
Debate
A intervenção que reabriu essa conversa foi liderada por Shinjiro Koizumi, Ministro da Defesa do Japão, em um programa da Genron TV transmitido no último fim de semana. Seu argumento não era que o Japão deveria fabricar armas nucleares ou adquirir seu próprio arsenal, mas sim que o país precisa mudar a noção de que certas questões de segurança não podem sequer ser debatidas. Em suas palavras, para o Japão, é um assunto difícil de discutir, mas uma das questões que não pode evitar abordar é, precisamente, a das armas nucleares.
Linhas vermelhas
Essa estrutura tem um nome na política japonesa: os três princípios não nucleares. O Japão se compromete a não possuir armas nucleares, não fabricá-las e não permitir sua introdução em território japonês. A fórmula remonta ao período pós-guerra e permanece um ponto de referência central para sua política de segurança, mesmo que o país continue ...
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