A história interminável de executivos determinados a projetar uma imagem de acessibilidade e familiaridade se repete constantemente, mas não funciona como antes. Muitas vezes, vê-los se esforçando por essa naturalidade artificial, em vez de fortalecer a marca, abre espaço para uma conversa desconfortável, onde cada gesto se torna viral e é analisado em excesso.
Há algumas semanas, Chris Kempczinski, CEO do McDonald's, viralizou com um vídeo em que dá uma mordida ridiculamente pequena no novo hambúrguer da empresa (ou, como ele enfatiza repetidamente, no novo "produto"). O resultado é uma mistura de risos e desconforto e, pior para a marca, não deixa nenhuma vontade de experimentar o "Big Arch".
É claro que outras grandes redes de fast-food, como Burger King e Wendy's, entraram na onda e rapidamente parodiaram a cena, distanciando-se da original e saboreando seus produtos em vídeos igualmente forçados.
De "comida" a produto
Em uma das cenas iniciais de "O Assassino" (2023), o thriller dirigido por David Fincher, o protagonista, interpretado por Michael Fassbender, define sua personalidade para o espectador com um gesto muito simples: ele compra um hambúrguer no McDonald's, tira o pão e come a carne pelo seu teor calórico e equilíbrio de proteínas. O que há três anos era um exemplo da meticulosidade de um assassino fictício, tornou-se um reflexo de como vemos o fast food em um mundo onde os macronutrientes ditam nossa dieta.
Retomando Kempczinski, e além do viral ou da piada fácil, ...
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