A imagem clássica do neandertal como um hominídeo bruto, sem inteligência e que sobrevivia com dificuldade se alimentando de restos deixados por outros predadores está sendo cada vez mais deixada de lado à medida que fazemos novas descobertas.
Hoje sabemos que, há 125.000 anos, nossos primos evolutivos eram os superpredadores da Europa, capazes de se organizar para abater a criatura terrestre mais formidável de sua época: o elefante de presas retas. Um animal que tinha o dobro do tamanho dos elefantes africanos atuais e chegava a pesar 13 toneladas.
Para chegar a essa conclusão, fomos até Lehringen, na Alemanha. Ali, em 1948, arqueólogos encontraram um esqueleto de elefante de presas retas com uma lança de teixo de 2,4 metros cravada entre as costelas. À primeira vista, parecia a prova definitiva — ou, como alguns antropólogos chamaram, a "arma fumegante" da caça neandertal.
No entanto, o ceticismo científico prevaleceu: foi um ataque coordenado ou um grupo de neandertais oportunistas encontrou um elefante preso no lodo e apenas o finalizou? É aqui que surgiu um grande debate, que foi encerrado agora em 2026 com a publicação de um novo artigo científico.
O novo estudo
Os pesquisadores se concentraram basicamente nos restos ósseos do animal encontrado em Lehringen, com o objetivo de identificar detalhes do processo de caça. O que observaram foi que as marcas de corte e os danos nos ossos não correspondem a um simples abate oportunista, mas sim a um ataque frontal e tático. ...
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