Durante décadas, o desenvolvimento de motores definiu um limite bastante claro do que um avião ou um míssil pode fazer no ar. Alcançar velocidades hipersônicas não depende apenas de materiais ou de design aerodinâmico, mas de resolver um problema muito mais complexo: como manter um sistema de propulsão estável desde a decolagem até além de Mach 6. A China vem trabalhando nessa direção desde meados dos anos 1990 e agora afirma ter concluído um protótipo que busca cobrir todo esse intervalo sem recorrer à troca entre sistemas de propulsão em pleno voo.
Esse objetivo toma forma no que os pesquisadores descrevem como um "contra-rotary ramjet engine", um motor de respiração aérea concebido para operar de forma contínua desde a partida até velocidades superiores a Mach 6. A equipe, vinculada à Academia Chinesa de Ciências (CAS) e liderada por Xu Jianzhong, afirma que o protótipo já foi concluído e verificado experimentalmente após mais de três décadas de trabalho. Ainda assim, o desenvolvimento está em uma fase preliminar: os próximos passos envolvem adaptá-lo a diferentes plataformas e submetê-lo a testes de voo reais que permitam validar seu comportamento fora do laboratório.
O motor que pode marcar um antes e um depois na área de defesa
A solução tradicional para o voo hipersônico e de alta velocidade costuma combinar dois sistemas de propulsão: um motor de turbina para velocidades de até cerca de Mach 3 e um ramjet para regimes mais elevados. Os motores de turbina cobrem a ...
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